Tudo indica que as próximas eleições regionais são o princípio do fim de um ciclo histórico para a Madeira, cuja dimensão política é inseparável da figura de Alberto João Jardim.Com o 25 de Abril nasceu o regime autonómico das então ilhas adjacentes da Madeira e dos Açores. O estatuto político-administrativo da Madeira e a entrada na União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica trouxe aos madeirenses uma oportunidade única para o seu desenvolvimento socioeconómico. Quis o contexto histórico que calhasse ao PSD-Madeira liderar este processo e a Alberto João Jardim ser o rosto de toda esta mudança. Nunca saberemos se os protagonistas fossem outros como teriam corrido as coisas. A história não deixará de reconhecer a obra feita: os equipamentos escolares, de saúde, culturais, desportivos, de lazer e turismo; a rede viária; as estruturas aeroportuárias, marítimas e terrestres de apoio aos transportes; os apoios à agricultura, ao turismo, e às empresas; os benefícios sociais para as várias camadas da população; o apoio às instituições culturais; os baixos níveis de desemprego comparativamente com o Continente aos longo de vários anos e muitos outros aspectos que poderiam ser referidos. Os eleitores para além de reconhecerem a obra naturalmente têm de ajuizar como é que a obra se fez. É que parece ter havido muitas obras avulsas que não obedeceram a uma política que garantisse um desenvolvimento sustentado. Talvez por isso haja atentados ambientais graves (o último de que me dei conta é no Porto da Cruz onde estão a destruir uma montanha sem que nada justifique tal coisa a não ser um bom negócio qualquer que ali terá lugar); talvez por isso os grandes negócios da Região tenham ficado na mão dos amigos e principais membros do partido do governo; talvez por isso o excesso de funcionários públicos; talvez por isso tanto subsídio a instituições culturais, sociais e eclesiásticas. Se não obedeceram a um verdadeiro projecto político de desenvolvimento então que razões movimentaram e justificaram as obras que a história não deixará de reconhecer? A garantia da permanência do poder nas mesmas mãos e do enriquecimento de alguns a qualquer preço. Se juntarmos a tudo isto o ambiente de permanente guerrilha política contra as instituições do Estado nacionais e regionais, a oposição, a comunicação social e a todos os que se afirmam pela sua diferença, uma bruma de suspeição, manipulação, intolerância e corrupção se estende sobre a obra feita e acaba por diminuí-la porque toda agente sabe que os fins não justificam os meios. Isto já os madeirenses perceberam e deram um cartão amarelo, já muito alaranjado ao Governo Regional e ao PSD-Madeira quando votaram da maneira que votaram nas eleições presidenciais no Sr. Coelho. Não porque o queiram ver a governar mas porque se identificam com o discurso crítico daquele senhor. Não é possível que os madeirenses e todos os que aqui vivem, trabalham e aqui pagam os seus impostos queiram continuar eternamente sem arriscar a mudança. Este "Prà frente" com acento para trás, independentemente de questões gramaticais, não deixa de ser sintomático, quase profético, mesmo irónico. Ou seja, que o PSD-Madeira vai ganhar as eleições é mais ou menos garantido (prà fente) mas que vai perder muito votos e quem sabe até a maioria absoluta lá isso vai (acento para trás). O cheiro a fim de festa está no ar (a conta da festa já ascende aos quinhentos milhões).

Paulo Santos