M.A. Quintal Não conheço o Fernando Santos mas dizem que é professor do secundário, como eu. Talvez por essa semelhança de modos de vida, as suas opiniões expressas neste espaço, em regra, coincidam com as minhas e com muitos dos meus amigos (as) com quem por vezes converso. Nunca fui militante do PS - gosto de me sentir livre de grupos corporativos, que é como vejo hoje os partidos políticos. Mas houve uma fase da vida do PS-M em que senti, como cidadã, que não poderia ficar no meu canto a assistir. Já lá vão dez anos, quando se começou a sentir que finalmente o PS-M estava a começar a escrever um novo futuro para o rumo das relações de poder na Madeira. O novo líder, J.A.Cardoso , com um novo discurso, uma postura digna e respeitável, deixava indicadores claros de rutura com os vícios de que padecia a vida política no partido e na Madeira. Com outros amigos e colegas, marquei presença nos eventos de promoção política do seu projecto. Entusiasmada… É desta vez. Chamou o desconhecido Maximiano para ocupar o seu lugar como cabeça de lista à AR, gesto que confirmou a sua generosidade e desprendimento. Lembro-me de ter justificado tal opção como um exemplo de que em política devem prevalecer os projectos coletivos sobre os interesses particulares… A exigência colocada ao novo projeto do PS-M não era compatível com um líder em tempo parcial sentado na AR. Na corrida pelas cadeiras, a mesquinhez, a hipocrisia, os egoísmos e a mediocridade dos que o rodeavam, veio ao de cima. Feriram tão fundo na sua dignidade e nos seus ideais que, fiel aos seus princípios, voltou as costas e bateu com a porta. Desde então a voracidade pela caça ao taxo imperou, conduzindo o partido a esta estranha coisa que é hoje. Tudo isto a propósito das próximas eleições regionais e a lista do PS tornada pública. O Maximiano de então é agora o mesmo que assina por baixo deste grupo de indivíduos que concorrem para debater, propor soluções políticas para atender aos problemas dos cidadãos madeirenses… Não se iludam, não estão a disputar o governo. Também acho que não aumentará o número de deputados eleitos pelo PS. Sendo assim, quem propõem para, de forma sustentada no conhecimento das políticas sectoriais, de forma séria, argumentar soluções: Assuntos sociais e saúde - ninguém; Recursos naturais, ambiente e ordenamento - ninguém; Turismo e transportes - ninguém; Recursos humanos - ninguém; Equipamento social - ninguém; Política económica e financeira - poderia ser o Maximiano, mas tantos anos na AR a discursar na lógica do jogo político, duvido das suas argumentações; Educação - aqui a Sena-Lino tem alguma experiência. Então para que serve esta lista? Por quanto mais tempo os militantes vão permitir isto? Também pergunto: O que é que fazem na lista o Victor e o Avelino, já para não falar do Serrão que já garantiu o seu emprego na AR. Ou seja, mais uma vez o PS-M o que faz é indicar indivíduos numa lógica de aparelho partidário, independentemente das suas competências, esquecendo a responsabilidade que tem com os madeirenses. Lá se vão mais quatro anos.