O jovem está que ninguém o pára. Depois da cena gaga e mal explicada com a polícia, vem mais uma vez a público dar sinais claros de que a má-criação não tem limites, que não sejam os seus próprios meandros do mau gosto e de uma intrínseca falta de respeito por tudo e por todos, na vã ilusão de uma legitimidade que não possui.

É que o jovem fala em nome da juventude, quando , na verdade, não a representa. Quanto muito representa aqueles que em si votaram na organização a que pertence e que tristemente lidera. E mesmo nesse clube restrito tenho dúvidas de que todos se revejam no estilo livre e desenfreado que pretende estabelecer como marca da sua peugada política.

Depois de ter desrespeitado a polícia com gestos, acções e palavras, não satisfeito atira agora a juízes e a adversários, ao arrepio da contenção e respeito que as instituições democráticas merecem e que as pessoas, enquanto indivíduos, exigem, numa sociedade que se quer verdadeiramente livre, civilizada e guiada por princípios e valores.

E o que mais choca em tudo isto é uma certa altivez de quem se arvora dono de um poder que realmente não tem e de uma representatividade que não conquistou. Ser líder de uma juventude partidária, seja ela qual for, não vai além disso mesmo, por muito que se gesticule e se reclame um estatuto maior do que aquele que a orgânica e a lei estipulam e permitem.

Mas além da clara usurpação de um poder que não lhe foi concedido, o que choca nos actos e acções do jovem é a propensão natural para um estilo claramente usurpador de um estatuto superior e ilegítimo, com o qual ameaça até com a expulsão de outros poderes, sobre os quais não tem qualquer ascendência, nem mesmo moral.

O que choca é uma certa tendência natural para a prepotência perigosa, porque se julga dono de uma legitimidade que não possui e porque se impõe como única verdade ao arrepio de uma democracia que se quer adulta, racional e construída por uma razão maior.

A liberdade e a democracia, conquistadas por jovens e menos jovens, exigem uma cidadania responsável, uma verticalidade real e uma outra postura que não seja a do insulto, a do argumento fácil e vil e a do exercício abusivo do poder.