Júlia Caré Sabia-a de saúde frágil. A última notícia a seu respeito referia-se à muito justa condecoração que lhe foi atribuída no passado 10 de Junho pelo Presidente da República. Infelizmente a leitura tardia deste matutino impediu-me de lhe prestar uma justa última homenagem, o tributo que gostamos de render àquelas pessoas que tiveram um papel importante nas nossas vidas. Tenho porém a convicção que aqueles cuja acção nos marca, permanecem sempre na nossa memória e no rol da nossa estima e gratidão, dimensões humanas que escapam às coordenadas espaço e tempo. À semelhança de muitas centenas de alunos que passaram pelo antigo Liceu, a Dra. Margarida Morna foi minha professora de Português e de Latim. A esta distância não consigo precisar a extensão dos conteúdos programáticos linguísticos; para além do "Arma verumque cano" da Eneida de Virgílio, (e a dor de cabeça da sua tradução) relembro sim a seriedade, o rigor e a exigência dos seus ensinamentos e da sua atitude, aquela parte modelar do currículo oculto em que o professor se ensina como pessoa e nós levamos na alma para a vida. Mas também o estímulo que me deu ao gosto pela leitura. Devo-lhe parte do que sou. Obrigada, Professora! Até sempre!