Tal como há 15 dias no Diário, ocupando a toda a largura na primeira página em caixa alta, também eu acredito que há 'LUGAR PARA TODOS', para tanto bastando que todos respeitem todos - por outras palavras que uns e outros se respeitem reciprocamente. Foi nessa mesma linha de pensar que no início deste ano de 2011 neste mesmo espaço fiz votos para que - entenda-se, a nível nacional e, particularmente, a nível regional - não faltasse o bom senso para dele fazer um ano de esperança por que os Madeirenses, cada vez mais, vêem ansiando e a Madeira, ainda mais, bem merece, não obstante uns quantos que teimam em não ouvir ou fingir que não entendem e, o que é mais grave, vão iludindo outros, porventura incautos, que sem disso se aperceberem acabam iludidos. Desde então, num clima de grandes incertezas, tiveram lugar as eleições legislativas a que seguiu a entrada em funções de um novo governo que de imediato deu sinais claros do que será necessário e possível fazer-se para, mercê da capacidade de coordenação da chefia e da capacidade política da equipa governativa, fazer o País sair do lamaçal para que fora atirado pela desgovernação socialista. A nível regional, com o aproximar de eleições que hão-de determinar a composição da nova ALRAM e como será o próximo Governo Regional, desdobram-se os expedientes e descobrem-se pretextos a propósito e a despropósito das mais variadas situações, muitas vezes habilmente maquinadas, para tornar impossível a construção da via da concórdia que tanta falta faz. De tais situações, recordo a discussão sobre o famigerado aterro a leste do cais da entrada nobre da cidade do Funchal que continua na berra e a atrair visibilidade mas que não pode servir de arma de arremesso, para de ânimo leve desferir críticas, sem apresentar alternativas fundamentadas, como é também uma outra, bem recente, enfermando do mesmo mal e que se relaciona com a construção de um novo hospital ou a ampliação do actual. Essas e tantas outras mais, embora exigindo ponderação, jamais poderão servir de "bandeira" para campanhas eleitorais para que já não servem tampouco as tricas estéreis à volta da 'Madeira Velha' de ontem ou da 'Madeira Nova' de hoje, ainda que apetecidas possam ser, para uns quantos que agarrados ao passado são incapazes de enfrentar o futuro. Sem ignorar as diversidades políticas que no todo devem ser reciprocamente respeitadas, é o futuro que está uma vez mais em jogo e que aos Madeirenses - com verdadeiro sentido das realidades nacional e regional, com serenidade e sem espectáculo - compete decidir e fazer por que prevaleça o bom senso e que na Madeira, igualmente vista de fora, haja sempre 'LUGAR PARA TODOS'.
Francisco Leite Monteiro