No decorrer da última Conferência Anual do Turismo, muito se falou da necessidade de articular e coordenar, visando a maximização dos recursos e meios em prol do sucesso da promoção da Madeira. Este mesmo desígnio faz-me abordar um tema, aparentemente, porque actualmente, distante da promoção, com enorme potencial e com uma forte ligação aquela, conforme tantas e tão boas evidências existem por esse mundo fora. Refiro-me ao património automóvel clássico existente nesta Região. Por razões que não são tidas aqui como relevantes e, por outro lado, por força da dinâmica e do entusiasmo gerado, hoje, na Madeira existem vários clubes e grupos ligados aos clássicos madeirenses: Alfa Romeo, Fiat, Carocha, Vespas, Motorizado, Mini, Peugeot, BMW, Land Rover, Japoneses, Bicavalaria, Mercedes, Clube de Automóveis Clássicos da Madeira... É notável o trabalho desenvolvido por cada um deles, uns mais que outros, mas sempre com um único objectivo, o da valorização cultural e patrimonial. É exactamente nesta motivação que reside o potencial externo em matéria de promoção turística. Afigura-se necessário apoiar este entusiasmo com medidas específicas e úteis a estes "agentes culturais", proprietários ou utilizadores desses veículos (envolvendo, também, as autarquias, centros de inspecções,...), articular e coordenar as várias ideias, começando pelo envolvimento de todos na elaboração de um calendário anual (onde cada um deles se comprometa com uma iniciativa) que garanta, no mínimo, um evento em cada mês do ano, contemplando, simultaneamente, a indispensável Volta à Ilha, o mais que necessário concurso de restauro e de elegância e as provas de velocidade (como a histórica Rampa dos Barreiros ou, mesmo, do género daquela a que assistimos na passada 5ª feira do Rali, na Avenida do Mar). Este seria o início do processo que conferiria a este património um motivo de utilidade diferente que garantido a quem nos visita, permitiria à Região passar a beneficiar dessa oferta qualitativa em todo o seu material promocional. Porque os recursos são poucos, impõe-se a cultura das sinergias e o envolvimento dos hotéis resulta apropriado, propondo-se, por exemplo, a troca de estadias dos participantes externos com o envolvimento dos clássicos em campanhas promocionais específicas. Aponto, entre tantas possibilidades, as iniciativas temáticas, ligadas à gastronomia de determinados países, à origem dos hóspedes, às festas nacionais, enfim, tudo aquilo em que a presença dos clássicos permita o reforço da identidade dessas mesmas concretizações. Na ausência de um museu dos transportes, os hotéis e vários organismos públicos também podem funcionar como montra dinâmica deste património e complementar um roteiro que inclua a visita a algumas das magníficas garagens privadas que a Madeira dispões. Umas delas, autênticos pequenos museus e grandes manifestações de bom gosto e profundidade histórica. E assim... ninguém ficaria a perder!

Eduardo Jesus, Economista