O Marítimo parte para a nova temporada 2011/2012, cujo início está aprazado para este domingo no Estádio dos Barreiros frente ao recém 'petrodolar' Beira-Mar, sob a premissa a que todos nós temos sido apresentados nos últimos meses - da austeridade. Com um orçamento drasticamente reduzido, com a obrigatoridade de limitação salarial, com o imperativo da contenção, as balizas foram viradas para a 'prata da casa' e para um novo nicho de mercado, pouco explorado pelo clube, o africano. Atendendo a estas condicionantes, mais relevante se torna o preenchimento das necessidades prementes do plantel e particularmente a escolha dos "alvos". O que, como todos nós sabemos, é algo que não tem sido muito competentemente diligenciado nos últimos anos. Basta ver o número de "dispensados" que a direcção do Marítimo ainda tem para resolver para atestar este facto, e que tanto agravam a folha de pagamentos do clube. Ainda esta semana três possíveis reforços para a nova temporada (Domenighini, Abuchi e Ekele) foram dispensados, ainda antes da Liga começar, o que, não sendo bom, é pelo menos uma novidade, já que evita que tenhamos mais jogadores contratados para não jogar. Naturalmente que entre os adeptos, na ausência de uma contratação de peso, à incerteza do valor dos jogadores que chegam, e atentendo às saídas de elementos preponderantes na época transacta, alimenta-se a incerteza da competetividade da nova equipa verde-rubra, e da capacidade desta em atingir os patamares normalmente propostos pela agremiação madeirense. Mas o 'defeso' tem a particularidade de trazer a esperança onde muitas vezes ela não existe e de dar lugar, pelo menos neste período inicial da temporada, a expectativas positivas e de sucesso da sua turma. Não é possível esconder que as saídas de Marcelo, Kléber e Djalma foram duros golpes na equipa, já que se tratam de jogadores que marcaram a diferença qualitativa na prestação do Marítimo na época transacta. Chegaram os conhecidos Pouga e Salin e dois nigerianos desconhecidos mas que passaram o teste inicial: o gigante Ibrahim e o médio Hassan. Regressaram Olberdam (este para aparentemente para o 11 inicial), Gonçalo, Adilson, João Luíz e Ricardo. Foram promovidos à equipa principal o internacional sub-21 Rúben Ferreira, Marakis, Sami, João Diogo e Edivânio, sendo que estes últimos irão alternar com a equipa B. Com alguns jogadores - segundo as suas declarações - com vontade de mostrar serviço, como Marquinho ou o Danilo Dias, e tendo o Marítimo segurado Robérge, Roberto Sousa, Benachour e Babá, poderemos eventualmente aspirar a algo melhor aquilo que foi apresentado na época transacta. Até porque, quer queiramos quer não, e atendendo a todas as condicionantes que já referi, são estes os jogadores que Pedro Martins tem para trabalhar e que nós, adeptos, teremos que apoiar, custe o que custar, semana após semana. "Estamos confiantes de que vamos realizar uma grande prova, não apenas no campeonato como na Taça da Liga e na Taça de Portugal. Vai ser lançada muita gente jovem e tenho a certeza de que darão excelentes respostas e alguns serão revelações" (sic 23/07/2011). Pedro Martins lança o repto e espera que os adeptos o sigam. Naturalmente esse efeito terá que ser visto em campo e, de preferência, já no próximo domingo frente à equipa aveirense. Uma vitória no primeiro jogo, em casa nossa onde a equipa sentiu grandes dificuldades na época passada, poderá marcar o passo do futuro próximo deste Marítimo, muito jovem, mas muito ambicioso. Profissionalismo, trabalho, garra, empenho e busca pela vitória a cada jogo é tudo o que podemos pedir, mas nada mesmo poderemos obter. Sempre em busca de tempos melhores.
Luís Miguel Rosa, Advogado