As últimas estatísticas nacionais apuradas, no sector da actividade turística, dão à Madeira alguns primeiros lugares. Contudo não nos podemos deixar enganar. Primeiro porque a subida que a hotelaria regional teve em Julho de 2011 resulta da enorme queda de 2010, por questões bem conhecidas, e da já anterior descida de 2009, em relação a 2008, o nosso melhor ano. Segundo, porque tudo isto parece sol de pouca dura, já que as perspectivas para o Inverno são pouco optimistas. Os números divulgados ontem animam-nos e indicam que a Madeira como destino turístico reconquistou alguma da sua clientela e a preferência de mais alguns milhares de turistas, mesmo que eles tenham escolhido o nosso arquipélago como alternativa a outros destinos, que momentâneas alterações das condições de segurança implicaram a busca de uma opção adentro dos mesmos preços e qualificação. Mas, interessa que, no final deste Verão, quem se move neste sector consiga fazer uma pausa e analisar as razões (e que condições) trouxeram esta clientela para os hotéis madeirenses. Pelos dados recolhidos é certo que temos muitos turistas que antes andavam nas praias da Tunísia ou do Egipto, e até mesmo de Marrocos, mas temos também indicações de que o que está a acontecer é uma retoma de mercados tradicionais do Reino Unido, da Alemanha, da França e da Bélgica e a chegada de novos clientes, de países emergentes que só agora começaram a ouvir falar da Madeira e das suas potencialidades turísticas. O caso do Porto Santo é bem diferente e notamos que muita dessa clientela foi desviada de destinos de praia. No final de contas, disseram-nos alguns hoteleiros, que o desvio nas duas ilhas do arquipélago, pode não atingir sequer os 10% do total da clientela de Verão, o que leva a acreditar que a Madeira ganhou turistas por mérito próprio. E para já, há outras boas notícias para o próximo Verão. Há operadores novos satisfeitos com as operações implementadas este ano e se até lá nada de mau ocorrer irão aumentar a sua capacidade para a Madeira e para o Porto Santo, o que faz prever que as percentagens estivais irão manter-se em 2012. O problema será o Inverno em que a sazonalidade do destino continuará a acentuar-se, este ano com probabilidades de uma descida maior, face ao desinvestimento das companhias aéreas nas ligações para a Região Autónoma. Transporte aéreo, preços dos operadores, esmagamento de margens de comercialização são temas recorrentes desta discussão que nos mantém à volta do turismo, desde há muitos anos. O que é importante agora, em 2011, é que encontremos com urgência um caminho para solucionar duas questões que nos afectam e que este Inverno serão fundamentais para garantir uma ocupação hoteleira que rentabilize a operação hoteleira regional. São o transporte aéreo directo e eficiente e a promoção do destino. Ambas passam, a nosso ver, por acordos bastante amplos, com companhias aéreas e com operadores tradicionais, além de todo o potencial que as redes sociais e as agências online possam ter no negócio e trazer por acréscimo. Mas de uma coisa estamos certos: a Madeira tem de procurar ganhar a presença de uma ou mais marcas da hotelaria internacional, que possam, ‘per si’, ter força para divulgar o destino e cativar clientes para os seus hotéis na Região Autónoma. O resto virá naturalmente, como tem acontecido noutros destinos, porventura menos conhecidos ou qualificados. E é urgente que se avance no mercado, enquanto os políticos se manterão à roda de uma questão quente que é o modelo de promoção turística. Tão quente que lhes há-de escaldar as mãos, porque se movem por teorias desadequadas com efeitos desoladores no futuro do turismo regional.