Na passada semana a maioria dos portugueses 'gelou' perante a recepção em sua casa "da factura" ou "fatura". Chegou de forma inovadora, via TV, rádio ou internet. Foi enviada pelo actual governo e respeita a benefícios anteriores, ainda não facturados. Não tenhamos duvidas: foi popular a entrada em funcionamento de novas estradas sem portagem; muitos aplaudiram a atribuição de 'rendimento mínimo' aos alegadamente mais necessitados; avançaram-se com investimentos com base em parcerias publico-privadas; em ano de eleições aumentou-se salários, baixou-se o IVA para depois voltar a aumentar. Desinvestiu-se na agricultura, nas pescas e em muitas indústrias… Se tudo tivesse sido devidamente ponderado e estudado, talvez a factura não nos chegasse. Porem, não nos esqueçamos que os últimos primeiro-ministro remodelaram as pastas da economia e das finanças poucos meses depois do inicio da governação. Talvez Daniel Bessa e Campos e Cunha tenham previsto a necessidade da emissão desta factura. Alguém não os terá querido ouvir... prestaram um bom serviço ao pais ao não condicionar a sua visão técnica pelas "agendas politicas". Pena que outros não o tenham feito! Tal não poderá ser suficiente para se considerar que os economistas enganaram os políticos como tanto se tem repetido. Havia entre os economistas vozes que apelavam à razão. Resta-nos pagar agora a factura, seja via subsídio de natal (com uma tributação extra sobre o rendimento), seja a começar aí e acabar onde o futuro nos determinar. Não nos resta alternativa senão unir esforços no sentido de ultrapassarmos as dificuldades presentes. Dispensam-se os "braços de ferro" entre forças políticas pois não nos esqueçamos que "no processo de evolução e sobrevivência das espécies não ganha o mais forte mas aquele que melhor se adapta as condições do seu meio" (Charles Darwin).

Rui Gomes Coelho - Economista