
1 - Não percebo qual a razão para nunca ter chegado a ministro. O mestre Mário, bate-chapas, mecânico e desenrasca profissional, capaz de fazer andar qualquer calhambeque que já tivesse dado três voltas ao conta-quilómetros, era o 'técnico' por excelência. E se não me falha a memória - já lá vão muito mais de 30 anos -, também era 'independente', mesmo quando garantia que 'isto só entrava nos eixos com dois salazares'. Tinha tudo para ser ministro. E dos 'super', daqueles que têm ministérios com nomes compridos.
Pelo menos parece ser essa a condição para entrar para um governo como o actual: ser técnico e independente. Não é preciso saber qual a especialidade, ou se tem experiência real na matéria, é preciso é ser 'técnico'. E, por definição, todos os académicos, mesmo os que nunca tiveram qualquer actividade prática e viveram, sempre, no meio universitário, são bons técnicos. Têm 'currículo' e isso basta. Mesmo que o 'currículo' seja o de dar aulas numa qualquer universidade desconhecida e escrever alguns ensaios sobre inutilidades.
Não questiono a competência de quem ainda nem teve tempo para conhecer todos os cantos dos novos gabinetes, mas custa-me perceber a lógica que, desde sempre, leva à escolha de professores universitários para ministros. Se não me falha a memória - esta bem mais recente - foram 'professores catedráticos' que levaram o País ao estado a que chegou.
Não é politicamente correcto, mas confio mais num bom engenheiro do que num professor catedrático de engenharia. E ainda tenho mais medo de professores, de desconhecidas universidades canadianas, que tiram o casaco e pedem: 'chamem-me Álvaro'. É muito parecido com aquela outra: 'Beija-me na boca a chama-me Tarzan'. Mas isso deve ser mania minha.
2 - O novo Governo entrou a matar e os portugueses ainda estão abalados com a pancada. É cortar a direito, porque a meta olímpica são os 5.9. Duro, sim senhor, não teve aviso prévio, mas também não teve a hipocrisia do Governo anterior quando tinha de anunciar 'porradas' destas. Só ficamos à espera de ver se terão coragem de cortar nas despesas do Estado e, muito mais importante, meter a banca na ordem. Por isso, é melhor começar já a treinar: 'Natal' para todos... porque o 'Feliz' vai para os cofres do Estado.
Ah, agora é que me lembro, o mestre Mário também dizia: "Se não pode pagar agora... pague no Natal'. Que grande ministro tinha dado.