No início do mês passado andei pensando no Marshall McLuhan. Para quem não se lembra, McLuhan, que morreu em 1980, foi um teórico da comunicação que popularizou conceitos como 'aldeia global', 'o meio é a mensagem' e a distinção entre meios 'quentes' e 'frios'. McLuhan não dá grande importância à informação per si, antes ao impacto que essa comunicação provoca no receptor. Para ele, os meios de comunicação são extensões sensoriais do indivíduo. A meio do mês passado descobri uma coisa; como é óptimo ir para lojas de vídeo e fotografia, ouvir os argumentos que os vendedores têm preparados para os clientes: a maior parte das mais-valias de uma câmara são puros placebos para a incapacidade que as pessoas têm de fazer boas fotografias, no máximo uma espécie de bifidus, ou seja, umas coisas que ninguém sabe o que é, só se sabe que é bom. De facto, não se pode dizer que mais megapixeis seja melhor imagem, um gain a 12db não serve para nada, e uma televisão 3d é exactamente a mesma coisa que uma convencional. A divisão entre o génio e a ferramenta, não faz sentido: Cartier Bresson, que não era mau fotógrafo, tudo o que tinha era uma lente de 50mm na sua câmara, e William Klein (que esteve na Madeira em Janeiro passado) democratizou as fotografias com arrasto porque não tinha uma câmara rápida. Princípio de Julho: Lembrando McLuhan outra vez; nada existe, à excepção do prolongamento dos nossos sentidos, e do nosso corpo. Do resto não se fala, faz-se.

Filipe Ferraz - Realizador