Paula Vasconcelos Não pude ficar indiferente ao artigo "uma Ilha sem mar" do professor Hélder Spínola do passado dia 29 de Junho. Tudo o que ele aí expressa, eu concordo e assino em baixo. Porque infelizmente essa é a nossa realidade, nem sendo preciso ser expert na matéria como o professor em questão, para o constatar. Os madeirenses estão a ficar sem mar. Literalmente. Roubaram-nos descaradamente essa referência maior de ser e sentir-se ilhéu. Toda a costa está criminosamente delapidada, certamente porque interesses maiores do que preservar esse bem tão precioso para nós, se ergueram. A "lei" do cimento soma e segue, enchendo os bolsos de muitos, cujos escrúpulos nem se colocam, simplesmente porque não os têm. Verdade é que o povo não contesta, não se indigna. É preciso pagar para usufruir do nosso calhau? Nós pagamos, que remédio. Uma resignação digna de estudo, sem dúvida. Impunha-se uma mudança de mentalidades, uma revolução, direi. Aí acabam as minhas ilusões. Porque infelizmente nem daqui a 100 anos tal irá acontecer. Para gáudio das (pre)potências vigentes. Convém esse povo manso, sem sensibilizações para a preservação do meio ambiente, que joga lixo pró mar como se não houvesse amanhã. Mas há amanhã. Que prefiro não imaginar. Prefiro antes procurar em algum lugar desta Ilha um cantinho de mar que ainda seja limpo e transparente, onde mesmo retalhando os pés nas pedras para chegar até lá, sinta que aquele sim, é o "meu" mar. Um mar com memórias de infância, cheio de algas, peixes e caramujos. Lapas cruas a saber a sal e férias grandes. Memórias do calhau que era nosso. A cada ano diminuem esses cantinhos de mar, apostados que estão em arruinar o pouco que resta da fauna e flora da nossa costa. Por tudo isso essas fachadas das "Semanas do Mar com muito para oferecer", são isso mesmo. Fachadas. Pro povo se distrair, então. E tanto o povo se distrai com essas festas e festarolas que nem se dá conta que lhe roubaram o mar. Sem devolução possível. O poeta dizia que "… é urgente um barco no mar…" Aqui e agora é urgente despertar, acordar consciências. Embora tarde de mais…