Agora que o país se viu livre de Sócrates e a política portuguesa passará a ser séria, honesta e transparente e que o novo governo vai aplicar o programa da famosa troika (FMI, UE e BCE), que está definido sem, portanto, que haja nada de novo no horizonte. Uma outra Troika, a Troika Popular, reuniu-se e começou a preparar o programa de governo que será verdadeiramente de mudança, claro está, para depois da queda do novo governo, o que acontecerá quando se confirmar mais uma vez que em Portugal só os governos de maioria absoluta de um só partido cumprem a legislatura. Excepção feita a Guterres que chegou ao fim do seu primeiro governo porque, para além de ser boa pessoa e dialogante, ainda estávamos no tempo das vacas gordas. Por outro lado, Passos, qual cordeiro imaculado, ainda não percebeu que Portas é mesmo o lobo mau. No mínimo vai querer ser ministro dos negócios estrangeiros, a passarelle ideal para se pavonear cá dentro e lá fora e deixar na sombra, sempre que possível, o primeiro-ministro. É claro que entretanto a comunicação social, bem coordenada com as eminências pardas do sistema judicial, tratará de fazer ressuscitar os processos que estão a decorrer e que de uma maneira ou de outra vão desembocar nele. Aí, pensará Sócrates, que a vingança serve-se fria… Mas depois de tudo isto acontecer a dita Troika Popular apresentará a sua proposta. António, João e Pedro, qual triunvirato romano, avançará com o verdadeiro governo de salvação nacional. Sem criticarem ninguém (porque o Sr. Presidente disse que quem não vota não pode criticar e eu penso que estes três não votaram…) e concentrando-se no essencial os três vão dividir a governação em três grandes áreas, repartidas entre eles conforme as suas competências. António, casamenteiro e doutor da Igreja, ficará com a promoção familiar, educação e cultura. João, homem ligado às águas e ao gado ovino, com o ambiente, recurso hídricos, agricultura e pecuária. Pedro, que para além de ser pescador, tem a chave de todas as coisas, tem o poder de perdoar os pecados e é o chefe, fica com o tesouro e finanças, administração interna, justiça e pescas. As ideias fundamentais de cada um deles para salvar Portugal são por parte de António, promover a família e natalidade porque sem portugueses não há Portugal; fazer da educação a prioridade das prioridades e da cultura a grande imagem de marca de Portugal no mundo ( Eduardo Lourenço, Paula Rego, Souto Moura, Siza Vieira e outros já estão dando o exemplo). Por parte de João não há duvida que as energias renováveis, os equilíbrios ambientais na gestão das águas e dos solos e o aumento da produção agrícola é o caminho a seguir. Quanto a Pedro, com a sua visão colegial do exercício do poder, não deixará que se cometam abusos por parte das forças de segurança, nem que haja decisões de juízes inquestionáveis e que ninguém estará acima da lei, nem que a democracia se esconda atrás de rostos desconhecidos como os das tais agências financeiras. A chave do cofre abrir-se-á para aqueles que realmente precisam e não permitirá que os banqueiros, gestores, ex-políticos e outros comam do que lhes não pertence. Além disso, sectores tradicionais como as pescas voltarão a ser impulsionados. António, João e Pedro vão decretar que não se deve seguir o exemplo dos alemães que só pensam em trabalho. Quando morrem e chegam ao céu têm uma grande dificuldade de adaptação pois não se trabalha no céu. Lá têm primazia a contemplação, a música e a preocupação com os mais fracos. Assim os tempos de trabalho em Portugal continuarão a ser intervalados pelos tempos festivos e jamais serão alteradas as festas dos santos populares, ou seja, a Troika Popular.
Paulo Santos