Pedro Melvill de Araújo Tenho um conhecido, que se chama José S.. Entendido em diversas profissões e, ouvi dizer engenheiro de formação, que acha que sabe um pouco de tudo, e por isso pode mandar em tudo e em nada. Por exemplo: se alguém em casa leva um objecto novo, um quadro, p. ex., e diz que é melhor chamar o mestre Qualquer Coisa para pendurá-lo, lá o Sr. José S. diz que não, que ele sabe muito bem como se desempenha essa tarefa, muito melhor que o mestre Qualquer Coisa, e que assim fica muito mais barato. E começa a mandar toda a gente fazer alguma coisa. Ele gosta de mandar! A mulher vai buscar o martelo, o filho procura os pregos, a filha, o papagaio e o cão procuram não atrapalhar, e a sogra agarra no quadro no sítio certo. O Sr. José S. tira bem as medidas (afinal sempre é engenheiro) e prepara-se para pregar o dito prego. A primeira batida vai direitinha para a parede, pois o eng. teve medo de acertar no dedo. A segunda e terceira acertaram no mesmo alvo, se bem que em sítios diferentes. Após ter reclamado alto e bom som com toda a gente que não sabia fazer nada, lá conseguiu acertar no dedo. Depois de alguns impropérios a todos os circundantes, lá conseguiu estancar a sangueira, e já com dois dedos entrapados, voltou à carga sobre o pobre do prego, que ainda não tinha percebido bem o que se passava à sua volta. Após uma luta intensa, e após muitos adjectivos contra todos os incompetentes que não sabiam o que estavam a fazer e que só estavam a atrapalhar a sua enorme tarefa, lá conseguiu que o prego ficasse, não bem no sítio original, mas uns largos centímetros afastado, e descentrado da restante decoração, o Sr. José S. dava o seu trabalho por concluído, olhando orgulhosamente para uma parede mais parecida com um campo minado, após a activação simultânea dos respectivos engenhos, dizendo ufanamente a toda a família, cão e papagaio incluídos, que aprendessem alguma coisa com ele, pois a sua passagem por esta vida não seria eterna, com muita pena sua. É assim o meu conhecido Sr. José S.