Numa ocasião em que a hotelaria regional está em recuperação chegam-nos notícias de que há atrasos consideráveis no pagamento dos incentivos e dos trabalhos de promoção contratados com empresas estrangeiras em vários mercados emissores de turistas para a Região Autónoma. A questão está a criar um clima de descontentamento, sobretudo entre os associados privados da Associação de Promoção da Madeira que têm as suas contas em dia, e acusam a parte pública de não estar a fazer bem o seu trabalho, já que os atrasos nas comparticipações protelam os pagamentos, alguns para muitos meses, outros para mais de um ano. É um situação inquietante, pois pode colocar em jogo o futuro de algumas parcerias que se têm revelado interessantes e que alavancaram a recuperação da hotelaria, nomeadamente em mercados tradicionais da Madeira. Conhecendo a campanha que tem sido desencadeada nos últimos meses por alguns políticos contra esta parceria pública privada, que tanto custou a criar e a operacionalizar, somos levados a crer que existem interessados no mau desempenho da AP Madeira, cujo trabalho, quanto a nós, tem sido meritório e tem dado uma nova vida à promoção exterior da Região Autónoma, mais profissionalizada e melhor encaminhada. Pena que não sejam definidos mais campos de acção para essa entidade e criados esquemas de comparticipação que possam assegurar mais receitas e uma equipa profissional maior, capaz de estar mais permanentemente junto dos operadores turísticos e dos media internacionais, cujo melhor conhecimento da Madeira contribuiria certamente para termos ainda mais turistas na Região. De entre essas declarações dos últimos tempos registamos uma que arrastava uma crítica injusta ao trabalho desenvolvido no exterior pelos responsáveis comerciais e pelo marketing das unidades hoteleiras regionais, muito limitados no acesso aos stands oficiais em feiras internacionais, e que têm procurado, nos últimos tempos, estar junto dos potenciais clientes da Região Autónoma, alguns fazendo o trabalho que em outros destinos estão cometidos aos órgãos oficiais. Mas não é disso que eles se queixam. Também achamos que é da união de esforços e da cooperação com todas as entidades, públicas e privadas, que resultará um maior conhecimento do arquipélago no exterior. Do que se queixam é da injustiça da crítica, porque andam no meio e sabem o que se passa. Pelo que conhecemos todos se têm aplicado bem. Ainda ontem, a governante que tem a tutela do sector referiu que o turismo oficial regional esteve no ano passado em mais de meia centena de feiras e eventos de promoção turística no exterior. É uma marca significativa e que mostra a dinâmica dos mercados e a maneira como também, ao nível governamental, se procura marcar presença. Resta saber a viabilidade dessas acções, se elas não se sobrepõem com outras também desenvolvidas pelos privados, e apurar em que medida os que estão no negócio consideram oportuno e rentável continuar com esta divisão de mercados, e/ou com as apostas que têm sido feitas. Parece que os parceiros estão distantes, que os poucos recursos existentes não têm tido a melhor aplicação, face ao contexto das necessidades apontadas pelos estudos de mercado e pelas tendências da procura, e que a parceria tem um dono, que por via de uma percentagem maior de votos, democraticamente impõe a sua vontade. Caberá à ACIF a defesa desta parceria, quer numa maior e melhor informação dos seus associados, travando a maledicência que sempre resulta da mesquinhez de alguns (poucos) empresários e valorizando o que de bom está a ser feito e as potencialidades que o projecto, em si, tem para o turismo da Madeira. E caberá exigir ao sócio de referência que assuma os compromissos e evite a inquietação que se verifica entre os hoteleiros madeirenses, face aos operadores com quem têm de lidar diariamente, e que são ainda os maiores vendedores de pacotes de férias para a Região Autónoma. Aos governantes, da República e da Região Autónoma, caberá esclarecer o resto e refundar esta parceria, se for caso para tal.