Acompanho com particular interesse os vários debates e opiniões que surgem sobre o destino Madeira. Presente na minha memória está a imagem do casal de estrangeiros sexagenários que visita a nossa ilha pela enéssima vez passando longas temporadas por cá e estimulando o desenvolvimento económico do turismo e actividades secundárias. Por outro lado, não posso deixar de pensar no fenómeno mais recente do turista "low cost" que consegue um bom pacote para cá vir e passeia alegremente pelas nossas ruas com sacos de supermercado. Que pensarão estes nossos dois tipos de visitantes quando se cruzam no corredor do hotel? Os primeiros que a Madeira já não é o que era e os segundos, que os primeiros vieram enganados. Julgo que este exemplo espelha a estratégia de desenvolvimento que estamos a seguir neste sector tão importante para a nossa economia. Uma estratégia pouco clara para a precepção dos turistas e dos próprios habitantes. Será a Madeira um destino de férias em família, de aventura, de "sol e praia" ou de natureza? Estas são questões para as quais não existem respostas conhecidas e que, certamente, geram dúvidas nos turistas quando ponderam a hipotese de cá vir. Esforçamo-nos por passar lá para fora uma imagem de qualidade. Mas, no entanto, falta-nos definir em que é que temos qualidade. Actualmente sabemos que a competitividade entre os destinos túristicos é feroz e que um destino para ser bem sucedido terá de apresentar vantagens significativas face à concorrência. Assim, é necessário parar para pensar em quais são as nossas mais valias em relação aos demais e construir a partir dessa análise toda uma estratégia que permita diferenciar e posicionar a nossa oferta. Está na altura de definirmos qual será o nosso destino!
Pedro Nunes, Economista