João José Andrade Quando era pequeno rapaz eu e os meus irmão, que éramos 5 rapazes e 3 raparigas, íamos ao ribeiro buscar murta, louro, alecrim e outras plantas para servir de bentas de São João, mas já se punham na véspera de Santo António, por as estacas dos corredores, nas janelas, nas portas, nos palheiros, à noite fazíamos uma pequena fogueira a Santo António e ardíamos umas solas de alpagartas de borracha amarradas a uma arvore que começava a arder, ao cair da noite era muito lindo. Já pelo São João era muito melhor num poio que não tinha verdura fazia-se a maior fogueira do sitio vinha muitos amigos ver esta fogueira então fazíamos uma mais pequena para saltar à vontade sem nos queimar depois acendiam-se os balões nos arcos com lamparinas de azeite, alguns até aguentavam a noite inteira já a seguir a minha mãe tinha preparado um grande alguidar com semilhas, batata-doce, feijão em vagem, atum ou bacalhau, bolo do caco feito por ela, vinho e sumo. Já o São Pedro por ser o último era dia santo nessa altura, não era tão comemorado como os outros santos mas também fazia-se a pequena fogueira para arder as bentas de São João e guardava-se um pouco das bentas para se perfumar quando tínhamos dores de cabeça. Santo António bonitão É o santo casamenteiro Arranja muitos casamentos E por fim ficou solteiro São João namoradeiro Fez uma fonte na capela São João ficou zangado e triste Porque as moças não vão vê-la São Pedro o mais respeitado Por ter a chave do céu Passando alguma moça bonita Ele lhe levanta o véu