Juvenal Pereira Sr., Presidente, posso entrar? - Entra, Achadinho, podes te sentar. -Quantas inaugurações para este fim-de-semana estão agendadas? - Infelizmente não há nada, não há dinheiro, as obras estão paradas… - E não arranjas umas duas ou três, mesmo que sejam para inaugurar pela 2ª vez? - As que já foram inauguradas estão quase todas" rebentadas", de modo que, não vejo nada. -É verdade, tens razão, mas terá de ser mesmo uma inauguração. Mas como toda a gente sabe que não há dinheiro, olha…inaugurávamos nem que fosse um palheiro! - Posso aprontar, mas… Obras de meia-tijela não devíamos mais inaugurar. Não tarda e a oposição está a comentar. -Isso é racional. O melhor é deixarmos este tipo de inaugurações para depois de nos aliarmos ao PS e formarmos o Bloco Central. -Exactamente, Sr. Presidente. Assim não somos só nós a cairmos no ridículo, a ficarmos mal. A propósito, Sr. Presidente, sabe que essa aliança com o PS não me surpreende? - Achadinho, Achadinho, tu és um endiabrado… - Eu sempre calculei que o Sr. Presidente tinha lá dentro alguém do nosso lado. Pois eles sempre que tinham mais uma coisinha de votos no dia seguinte brigavam todos. -Fala baixo, amigo, não conheces o ditado de que às vezes, as paredes, têm ouvidos? -É um dito do povo, mas cá para nós que ninguém nos ouve, quando eles tiveram hipóteses de ao menos nos tirar a maioria, quando era para escolherem o candidato, um estava ocupado, outro não podia. Só mesmo quem era tonto é que não se apercebia! - Hei, és muito fértil em imaginação, essa conversa não me interessa, quero saber se vamos ter ou não alguma inauguração? - Por acaso estou a lembrar-me duma situação. Aquela promenade da Praia Formosa a C. de lobos que há dias inauguramos e fizemos uma festa todos, tem lixo de arrepiar e zonas que é preciso um olho-de-boi para enxergar. Colocamos os candeeiros, pomos tudo limpinho, chamamos o nosso povinho, fiel e amigo, e o caso está resolvido. - Bravo, amigo, o presidente sempre esteve e está contigo. Avancemos então para mais uma inauguração!