Jogador de futebol. Este é, hoje, o sonho de milhões de crianças por todo o mundo. Fama e dinheiro poderão ser as razões pelas quais, em qualquer pedaço de terra batida e empoeirada, rolam bolas de futebol por esse mundo fora. Antigamente, para fazer parte das escolhas de um treinador não era necessário ser-se um grande craque. Bastava ter vontade, correr e saber jogar um pouco. Hoje, isto não é suficiente. Aliado ao facto de saber jogar terá que existir um grande e influente agente a traçar o caminho. São muitos os pais que se sentem tentados em oferecer uma bola de futebol em detrimento de um livro pois, afinal, os jogadores usufruem de salários superiores aos de um médico ou advogado. Meu avô, Juvenal Sardinha, o 'águas', foi árbitro. Tinha 48 anos e apesar de ter reprovado nas provas dos 400 metros, recorreu. Perante os juízes que o avaliavam realizou excelentes provas e impressionou os seus dirigentes pelas aptidões demonstradas. Os jornais da época fizeram notícia com "Um velhote que dá exemplo a resistentes novos" até porque já exercia esta actividade há muitos anos. A idade não conta quando a vontade do indivíduo é grande e, naquela época, o ordenado nem era por aí além. Aproveitava, ao máximo, as experiências e os desafios e, nem a pedrada de que foi alvo no campo Tristão Vaz, em Machico, o demoveu de integrar a arbitragem local onde os bons exemplos e os valores prevaleciam. Além de jogador, professor, engenheiro, bioquímico, médico ou advogado são profissões que os pais ambicionam para os seus filhos. Árbitro é que nem pensar. Nunca agradam. Se não são apupados de um lado são-no do outro. E ver toda a família ser ofendida pelos adeptos, não é agradável. Apesar de estarmos em férias desportivas na maior parte das modalidades fica a homenagem a quem tem a responsabilidade de decidir e agir num único segundo. Hoje era o dia favorito do meu avô, o dia de São João.
Andreia Nascimento - Directora de Comunicação