Maria Quintal (professora) Há já alguns anos que deixei de votar neste PS-M, nem formular publicamente opinião sobre este partido, que deveria ser um partido democrático e socialista, constituído como uma força política digna e credível da esperança de uma alternativa de poder. Isto porque, fazê-lo, seria reconhecer um patamar mínimo de crédito, que há muito perdeu. Mas perante as últimas notícias sobre as evoluções recentes ocorridas neste âmbito e depois da carta do leitor F. Santos, cujo conteúdo subscrevo, não resisto a expressar o meu olhar de cidadã politicamente descomprometida, mas, sem reservas, com todo o repúdio por este "regime" político que nos governa. Para bem dos Madeirenses, é evidente a urgência do PS-M se levantar do buraco em que esta ultima geração de indivíduos, com a conivência de três ou quatro inveterados camaleões, o meteram. Porque lhes serve assim - há menos concorrência. Mataram a esperança e a dignidade desta instituição. Que me perdoem os genuinamente empenhados na dignificação do PS-M - os simples militantes de base -, mas este partido socialista, está hoje reduzido a uma associação de interesses individuais que nada tem a ver com valores socialistas, com competência ou credibilidade. E isto é grave, porque esta mediocridade provocou o afastamento das pessoas mais sérias e respeitáveis que integravam o PS. Permitam-me acrescentar um pouco mais de crítica à opinião de F. Santos. Afinal onde é que está a novidade? M. Martins não tem nada a ver com o que aconteceu ao partido nos últimos anos? Não aplaudiu este e o anterior líder? Então subscreve que o líder não lidere o projecto político alternativo ao PSD, mas permaneça na liderança? Esta situação não é surreal? Para liderar o quê? A gestão dos lugares? Mas a política é gestão de projectos pessoais ou é um serviço público? Estas são, quanto a mim as equações que os militantes mais conscientes terão de considerar. Por isso entendo que tão ou mais urgente do que a exigência de profundas mudanças na política regional, é a urgência de profundas e radicais mudanças no PS-M. Talvez mesmo um saneamento a toda a linha dos actuais responsáveis… Isso terá de acontecer mais cedo ou mais tarde - quanto mais tarde acontecer mais difícil será recuperar o respeito dos eleitores. Duvido dessa possibilidade, porque há os que não tendo mérito nem competência vão bater-se pelos lugares, porque se acham importantes. Mas também há os que, se considerando possuidores de mérito e competência - tenho dúvidas, porque se fossem possuidores de mérito há muito teriam tido a dignidade de dizer não e se empenhado numa digna regeneração do partido -, vão entender que não os podem pôr em causa. Querem a minha opinião: Levantem-se os bons militantes de base e digam basta…Porque a Madeira continua à espera.