O que achariam os portugueses se os próximos ministros das Finanças e da Economia portugueses fossem um Médico, Enfermeiro ou outro profissional de saúde? Muitos, certamente, achariam irrealista, outros achariam piada, e outros até concordariam, pois a morbilidade da economia é tão grande, e a saúde das finanças públicas tão má que precisariam de um bom tratamento. Julgo que todos estariam de acordo que para estar à frente destes Ministérios faria mais sentido alguém especialista na área da economia ou da gestão. Seguindo este mesmo raciocínio, fiquei perplexo, e muito apreensivo quando tomei conhecimento que o novo Ministro da Saúde será um banqueiro. Tal situação leva-me a crer que, e para infortúnio de muitos portugueses, não teremos um Ministro da Saúde mas sim um Ministro das Finanças da Saúde, e o primeiro objectivo deste Ministério será o tratamento das finanças da saúde e não o tratamento dos doentes portugueses. Ou seja, chegámos a uma situação em que as prioridades se inverteram, em que primeiro estarão os custos da saúde e só depois estarão os doentes. Inicia-se, assim, o já anunciado na proposta de revisão constitucional de Passos Coelho, o fim do Sistema Nacional de Saúde. Com um Ministro Banqueiro, e sabendo da filosofia dos banqueiros e da banca (ou seja, obter lucro sem olhar a meios, levando a cabo políticas ultra-liberais contra as quais o PS sempre se manifestou) temo seriamente pela saúde daqueles que pouco ou nada têm. Espero estar profundamente enganado, mas tudo leva a crer que com este banqueiro da saúde quem tem dinheiro será tratado e que não o tiver rezará para que morra o mais depressa possível para não sofrer muito. Para o bem de todos espero estar enganado e que tal não venha a acontecer. Mas de uma coisa tenho certeza, este banqueiro da saúde por mais teorias que tenha acerca de custos e de produtividade, ficará a saber que na saúde quanto mais se produz mais se gasta, e que a saúde efectivamente tem custos mas não tem preço.
Orlando Fernandes, Presidente da JS-M