Anos 80 e inicio de 90 do século passado. Uma jovem equipa de ténis de mesa do S Roque, liderada por Ludgero Garcês, Artur, Renato, Ricardo e Alexandre fez furor a nível nacional conquistando tudo, no seu escalão. Recordo, enquanto responsável, o entusiasmo dos adeptos da modalidade, corriam literalmente, por Portugal inteiro, para ver "duelos de gigantes" nos torneios, dos atletas do São Roque, Artur Silva e o Alexandre Gomes. Que orgulho e emoção das felicitações ao São Roque dos vários quadrantes da modalidade. Sem a participação dos nossos atletas, as provas perdiam qualidade, competição, emotividade, espectadores e sobretudo espectáculo; diziam-me os responsáveis da Federação e Associações. Se a Madeira contribuiu para o desenvolvimento e qualidade em alguma modalidade desportiva essa foi no Ténis de Mesa e a responsabilidade 1ª terá de ser do S Roque. E claro, um dos expoentes máximos de tudo isto foi claramente o Alexandre Gomes. Adolescente irreverente, numa luta interior constante em busca da sua identidade, procurando respostas para situações incompreensíveis na sua idade, reagia às adversidades de forma intempestiva. Aos insucessos das jogadas na mesa, autoflagelava-se provocando em quem assistia, comportamentos condenáveis. Criticava-se a si próprio. Como eu compreendia e conhecia o Alexandre … ele sabia e sabe disso. Num desses desabafos, jogo da 1ª divisão Nacional em casa do SL Benfica, o árbitro, exibiu-lhe o cartão vermelho. À rasca conseguimos ganhar por 5-4. Porque falo disto hoje? O Alexandre que tanto deu ao S. Roque, privado de tornar-se campeão Nacional como jogador pelo clube do seu coração, um erro histórico, acaba de tornar-se treinador campeão Nacional liderando a equipa "Toledos" da Ilha do Pico- Açores. Acredite o leitor que com dificuldade consegui suster uma lágrima ao tomar conhecimento deste notável feito do Alexandre. Após a vitória respondeu claramente, "sou mais apoiado e reconhecido fora da Madeira". Falei com ele. Felicitei-o. Queria abraçá-lo. O Alexandre sabe que fui sincero e fiquei feliz. O resto...? Caso para dizer "que triste o nosso fado", ter que emigrar, quase obrigado a sair de uma terra que não segura os seus melhores recursos humanos. O Alexandre é um exemplo. Há-os em todo o lado. Até na arbitragem.

Francisco Costa, Técnico de arbitragem