Não sei se terá sido por distracção ou por convicção. Mas acredito que tenham sido os melhores valores da cidadania activa que levaram o deputado do PSD-M Pedro Coelho, a pedir a condenação do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Devo confessar que fiquei pasmado com tamanha coragem. Não pelo ataque ao governante da República, mas por ter certamente a noção de que vivemos no mesmo País e que a medida que defende deve ser aplicada em todo o País. Se o secretário de Estado agiu deliberada e propositamente contra a Madeira, pois que seja condenado. Governar não é gerir interesses partidários, não é agir a favor dos seus, nem é fingir que não se vê o que está um palmo à frente do nariz. Governar é exercer com nobreza uma função que decorre do sistema político em que vivemos. Tanto paleio para dizer que, se agiu contra a Madeira, como o PSD-M diz que foi, então deve prestar contas. Tal como na Islândia, cujo exemplo foi sublinhado pelo parlamentar social-democrata durante a sua intervenção, esta quinta-feira, na Assembleia regional. A minha admiração pela bravura do deputado só não é ainda maior porque das suas palavras não se percebeu se o que defende para um elemento do Governo Português um dia se poderá aplicar também ao Governo da Madeira. E aí é que me assaltaram as dúvidas. Mesmo tentando ser bastante benevolente, não acredito que uma proposta dessa natureza passasse pela fina triagem da maioria social-democrata. Não por temer o PSD que algum seu governante, autarca ou deputado tenha agido contra os interesses da maioria da Madeira. Simplesmente porque seria considerado uma afronta a uma Região às direitas, como a nossa, alguém um dia se lembrar de fazer idêntica acusação aos nossos impolutos políticos. Vendo bem, seria mesmo um atentado à Autonomia, essa palavra mágica que tanto dá para exigir dinheiro como para evitar incompatiliblidades. Que tanto dá para as vantagens de um governo próprio, como para explicar o próprio desgoverno. E quem se atrever, - se um dia alguém se atrever -, a tanto, ficará certamente colado a uma palavra pesada e impedosa: traidor! Neste quadro, ganha ainda maior notoriedade a audácia do deputado do PSD-M. Que não se pôs com paninhos quentes, que foi directo ao assunto e que disse claramente que quem lesar os interesses da Região deve ser condenado.Em plena febre das petições para tudo e para nada, que se faça uma a favor desta ideia: político que, deliberadamente, lesa a sociedade deve ser condenado. Se for para aplicar em todo o País, eu assino!