Por formação e experiência profissional costumo escrever habitualmente nesta coluna sobre questões económicas ou de desenvolvimento. Mas, valendo-me de uma frase que se tornou célebre em Portugal, a saber, que «há mais vida para além da economia (orçamento)», embora hoje possa ser muito contestada, entendi aqui dar a conhecer uma situação que me chocou e pode afectar a vida dos madeirenses que passem por experiência semelhante. O caso aconteceu com um familiar meu que teve necessidade de ser transportado numa ambulância de uma Cínica para outra Instituição fora do Funchal e teve de esperar para além da hora marcada (de véspera) porque não tinha alternativa visto só haver uma empresa autorizada na Região para o transporte de doentes! Ou seja, existindo diversas Corporações de Bombeiros e até a delegação regional da Cruz Vermelha Portuguesa que possuem esse meio de transporte, e necessitando certamente do contributo financeiro privado que um serviço como este pode proporcionar, vêm-se impossibilitadas de fazê-lo para proteger a única empresa a operar na Região. Será esta uma economia liberal que, pelo menos em teoria, optimiza a oferta e fornece o serviço ao melhor preço? Assim não parece porque nem o serviço foi eficiente (atrasou e atrasa-se, segundo sei, de outras experiências conhecidas) nem o preço foi «discutido e acertado no mercado». Acresce que, o transporte em causa foi feito em condições inconvenientes para o paciente (ainda que acompanhado de uma enfermeira) pois o motorista parecia que levava um doente para a urgência hospitalar, quando se tratava apenas de um doente com uma doença prolongada, ao ponto de ter de levar oxigénio para acalmar a sua aflição respiratória com o transporte em velocidade excessiva (para o caso em concreto). Em suma, numa situação penosa como a que descrevo, e apesar de tratar-se de um doente privado, teve de recorrer-se a um «fornecedor único» (a quem beneficia o monopólio?) com a desvantagem acrescida dos profissionais ao serviço não estarem devidamente habilitados, ou informados, do estado clínico do doente a transportar por forma a fazê-lo com conforto para o mesmo. Serão estas as vantagens da Madeira Nova?

Nuno Jardim Fernandes, Gestor