Será que hoje em dia os ralis são feitos a pensar nos pilotos, no público ou simplesmente nas organizações? Tenho as minhas dúvidas. Tendo como exemplo este Rali de Santa Cruz, presenteado com uma das maiores listas de inscritos desta época, algo não batia certo. Uma prova com 46 kms cronometrados em dois 'longos' dias, curtíssimas ligações entre provas especiais, inscrições ao preço 'normal', com o prazo mais curto da história e com extras caríssimos (road-book a 50€, 100 folhas de papel A5, impressas a preto e branco e encadernadas com argolas). Não faz muito sentido. A organização não esteve à altura do campeonato ao promover um rali tão curto. Os ralis por natureza não são provas sprint, mas sim de alguma extensão e dureza. E se o objectivo foi ajudar os pilotos a poupar, nem isso acontece, porque por exemplo, um técnico cobra o mesmo por um dia de corrida, quer faça 1 km ou 100; os pneus fazem à vontade 40 a 60 km e tendo o parque de assistência de 20 em 20 km não reduz os custos em nada. Depois para o público fica complicado saber onde assistir ou mesmo saber se vale a pena assistir, pois o tempo era muito curto entre especiais. Apenas 40 minutos separavam a 1.ª da 3.ª especial e a 4.ª da 6.ª especial do segundo dia de prova, o que não deixava grande espaço para lazer ou consumo nos restaurantes e bares do concelho, pois obrigava a uma tremenda correria para quem quisesse ver mais do que um troço na mesma secção. A meu ver, no final só as organizações saem a ganhar porque apresentam meia corrida pelo preço de uma.

Ana Sofia Correia, Piloto de ralis