Deduzo que por imperativo das circunstâncias actuais todos sejamos solidários para com os que têm a missão e a responsabilidade de gerir e comandar os destinos da região e do próprio país. Contudo, perece-me que em nome desta realidade, de dificuldades acrescidas no dia-a-dia, existe uma grande preocupação de reduzir custos sem olhar às reais consequências, desses mesmos procedimentos, no futuro próximo. Para muitos, leigos na matéria, o mais fácil é cortar no desporto, pois o seu contributo para a sociedade é simplesmente dispensável. Para outros, o desporto é memorável quando se conquista resultados, sejam eles quais forem, independentemente dos processos e métodos que foram utilizados. Neste capítulo, os agentes do desporto têm a responsabilidade de contrariar estas "ideias sagradas", que muitas vezes servem para entreter alguns e esconder os reais problemas da nossa sociedade. Se é verdade que a "malta" do desporto anda, há muito tempo, preocupada com toda esta situação do país, muito recentemente este sentimento foi agravado com os novos pressupostos e regras de atribuição das subvenções públicas às instituições desportivas (leia-se clubes por agora), para a presente época desportiva, impostos pela Secretaria Regional do Plano e Finanças e accionados recentemente pelo Instituto do Desporto da Região Autónoma da Madeira, IP-RAM. Se o corte de 5% não era novidade para ninguém já a norma de que para esta época, que está praticamente no fim, de não aplicar os regulamentos vigentes para o apuramento do montante a que cada instituição tem direito, deixou muitos dos responsáveis pasmados. Como é possível não respeitar os regulamentos aprovados na Assembleia Legislativa da Madeira? Mais uma vez, esta medida veio castigar os que trabalharam com qualidade e apresentaram resultados, beneficiando os restantes... Obviamente, que somos solidários com a redução mas não podemos aceitar que esta seja complementada por estes princípios, que provocam tremendas injustiças e ajudam a desmotivar ainda mais as pessoas, que com muito esforço e dedicação lutam contra todas as contrariedades. Assim não vamos lá!

Juan Gonçalves, Presidente da ATMM