Os resultados de opções políticas erradas do actual governo da Região, adicionadas aos efeitos da maior crise económica da idade moderna, e cujos contornos estão ainda totalmente clarificados, atiraram a região para um descontrole sem precedentes, reflectindo um governo em "estado de sitio". Mas, mesmo assim, há um estranho silêncio na sociedade madeirense sobre esta perturbante situação. Contudo, considero que não há grandes razões para insistir no diagnóstico: estou convencido que todos têm consciência que estamos confrontados com um caminho árduo que exige sacrifícios. Mas já não sei se essa consciência estende-se à necessidade insofismável de assegurar uma governação responsável e rigorosa. Sem ela, os sacrifícios ocorrerão na mesma, mas, infelizmente, estender-se-ão no tempo, contribuindo para a queda estrutural do nosso bem estar, fazendo-o ancorar em níveis jamais imaginados. Um governo que gasta muito e mal, que hipoteca o futuro das gerações sem contrapartidas reais e que transmite uma total ausência de profundidade estratégica, transformará esta Região num fracasso de desenvolvimento. Por outro lado, um governo com opções de ruptura , competente, rigoroso e descomprometido com compromissos insustentáveis no contexto económico actual, pode conduzir a RAM para a divisão das regiões ganhadoras: aquelas que souberam aproveitar a crise para organizar a casa, para controlar as contas públicas, limitar a despesa desqualificada, promover o ciclo de inovação e credibilizar a governação, de modo a assegurar a dinâmica do investimento privado (endógeno e exógeno). É óbvio que este "governo de salvação regional" não evitará os sacrifícios. Seria demagógico e populista afirmar que esse caminho ainda é possível, tendo em conta os erros de política económica cometidos. Curiosamente, o sucesso das opções jardinistas são hoje a expressão do seu fracasso: opções assentes num choque de crescimento económico baseado no excesso de divida e no investimento público inquinado com os interesses de um desenvolvimento sustentável. Mas, em boa verdade, ainda assim, os sacrifícios podem ser orientados no sentido certo, no nível adequado e num período limitado, permitindo relançar a economia da RAM e transmitir a credibilidade necessária para promover o investimento privado e garantir o financiamento da nossa economia a custos adequados. Se fizermos deste desafio o cimento das convicções dos tempos mais próximos e se traduzirmos os nossos anseios e desejos em opões concretas e realistas, relançaremos a esperança e, talvez, estancaremos o caminho da irrelevância regional a que estamos (muito) próximo de ser submetidos.
Carlos Pereira, Deputado do PS-M