Passou um ano. O primeiro. E acredita que custou muito. As pessoas fortes são assim, deixam marca em tudo. Principalmente na nossa alma. Acredita que não há dia em que não pense em te telefonar, em falar contigo, em trocar impressões e estórias. Aos poucos consigo voltar a fazê-lo. Como se aqui estivesses. Adivinho-te as palavras e as conversas, os argumentos e opiniões. Há dias houve eleições, sabes? Ganhou o Passos Coelho. Vai continuar tudo na mesma! O FMI foi chamado a pôr ordem nas contas da casa. Por cá, e coelhadas à parte, continua tudo na mesma. Ganham os de sempre porque os que se opõem não o fazem com mestria! Não tem muito que acabou a Feira do Livro. Obra tua e do Zé António, de quem também tenho muitas saudades. De ti pouco se falou. Como dizias as memórias são curtas. Mas deixa lá que falámos muito de ti em Santana! No entretanto deram-te o nome a uma rua. Simpática. Passo por lá muitas vezes, nesse bocadinho de ti! O mundo continua o mesmo. Os poderosos asneiam e o povo paga. Como sempre... os mesmo motivos de revolta, os mesmos pecados a pagar neste purgatório. Gostava de te poder dizer que neste ano muita coisa mudou. Que a cultura tinha passado a ser o que melhor nos define. Que um povo com acesso à cultura e que veja o que lhe é intrínseco defendido com unhas e dentes, é, certamente, um povo muito mais feliz. Gostava de te poder dizer que sabemos quem somos e para onde vamos! Passou um ano! E a tua ausência sufoca-me! Mas sei que um dia te farei uma visita e lá, onde estejas, teremos tanto que dizer, de mãos dadas... sempre!
Nuno Morna, Actor