A simples junção destas duas palavras - drogas legais - já causa arrepios. Desconhecia (a não ser sob a forma de fármacos), até há alguns meses, que havia drogas legais. Que também se chamam fertilizantes e outras coisas mais. Mas existem. E são comercializadas assim, na minha cidade, às claras, quase como se vendem raminhos de macela na Fernão de Ornelas. Dizem uns que não faz grande mal, que é menos perigoso que o vício do álcool ou do tabaco. Talvez seja, mas fico assustado com a simplicidade dos argumentos a favor destes produtos que em apenas mês e meio mandaram 15 jovens para a Casa de Saúde São João Deus, o velho Trapiche. E fico ainda mais assustado quando noto que quase ninguém pode fazer nada. Que a sociedade é obrigada a tolerar estas coisas de mãos atadas. Que o Governo pede ajuda, que a Polícia pouco ou nada pode fazer, que as Actividades Económicas se mostram impotentes. E porquê? Pura e simplesmente porque só agora alguém - neste caso o deputado do CDS-Madeira na Assembleia da República - se lembrou de fazer alterar a lei para acrescentar à lista das drogas ilegais estas ditas drogas legais. Parece incrível, mas é isso que se passa. Numa terra de burocracias, de papelinhos, de folhas azuis de 25 linhas, é preciso ter tudo escrito. Por exemplo, não sei se está escrito que não se pode espetar uma faca no coração de outra pessoa. Se não está, talvez quem se atrever a fazê-lo ainda se fique a rir do que foi para o cemitério. Porque não estava escrito. Num país que adora discutir o vírus do pepino, que afinal é da soja, que dá palpites sobre a Gripe A, que sabe tudo sobre quase tudo, estas coisas acontecem. E só depois da denúncia pública, através deste jornal, é que alguém promete agir. Resta saber quantos jovens terão de ser ainda internados até que seja possível fazer alguma coisa. Para o caso de alguém ainda não ter percebido, 15 internamentos em mês e meio representam uma média de um por cada três dias.
É chocante!