O resultado da última eleição presidencial permite que se façam as leituras mais diversas consoante o quadrante político que cada um se movimenta ou a opção ideológica que tenha. No entanto, o que nos revela, é que as mensagens transmitidas pelos diversos candidatos foram inócuas, sem conteúdo e sem esperança. Continua-se agarrado a chavões e a saudosismos que nada dizem à maioria da população. Somos um país de saudosos mas a vida de hoje não se compadece com aquilo que se já viveu há mais de trinta anos, quando sabemos que hoje tudo mudou e é substancialmente diferente. Persistir na tecla do espírito do 25 de Abril e da necessidade de mais democracia, quando está implantada e a funcionar, são expressões que não passam disso e que não traduzem o que a maioria das pessoas pretende e deseja. Os portugueses transmitiram aos políticos, a insatisfação que sentem pelo rumo que o país está a seguir e fizeram-no da forma que entenderam mais ajustada, utilizando os meios que dispõem ao seu alcance e que temos que respeitar mesmo que não concordemos. O que sentimos na pele, utilizando a linguagem popular, é que nos tiram mais dinheiro através de impostos directos e indirectos e de reduções remuneratórias, apenas para alguns, o que torna este país cada vez mais aberrante e atentatório da dignidade dos cidadãos, idosos com reformas miseráveis, jovens que aguardam desesperadamente por emprego que não existe, trabalhadores que perdem seu emprego, bens e serviços necessários ao nosso dia a dia cada vez mais caros que contribuem para uma maior degradação da qualidade de vida que tanto se apregoa como meta desejada. Fala-se muito, a maior parte das ocasiões sem sentido e sem nexo, utiliza-se sátira, às vezes com piada, mas que nada resolvem e acrescentam pois o futuro de todos nós exige acção, motivação, verdade e sobretudo mudança de políticas que vão de encontro aquilo que as pessoas necessitam sem retórica e sem demagogia.
José Manuel Oliveira, Sec-geral da ALRAM