Severino Olim Em meados do ano passado a Secretaria Regional da Educação e Cultura enviou para as escolas um despacho com alterações significativas e desprovidas de qualquer equidade social sobre o novo sistema de financiamento para a alimentação nas escolas, nomeadamente para os alunos do 1ºciclo. Por essa altura, pairava no ar algumas ameaças direccionadas à classe médio deste Pais, com prováveis cortes em salários e outros cortes afins. Face a isso, e se este agoiro viesse acontecer, julguei que a dita autonomia regional tão utilizada para reivindicar da república mais direitos e mais poderes pudesse sair à rua com medidas atenuantes de modo que os efeitos fossem o menos ruinoso possível ao orçamento destas famílias. Não tardou que esta maldição se tornasse uma realidade efectiva, agravando ainda mais a situação aflitiva com que se debatem, consideradas já os novos parentes pobres deste Pais! Com a eliminação dos últimos escalões do abono de família, em Novembro passado, a coisa pirou para os seus lados, vivendo na incerteza da manutenção do seu posto de trabalho e com a angustia de viverem num País em que são sempre os mesmos a serem chamados à espoliação dos seus rendimentos pelos sucessivos governos. Como se estas medidas drásticas impostas pelo governo da república não chegassem, o governo regional também não ficou atrás, agravando os seus orçamentos mensais com mais uma despesa. E com mais esta despesa, passam os pais sem alternativas a custear o financiamento da alimentação dos alunos, principalmente nas escolas onde decorre o 1º ciclo, num valor que ronda os 40 euros/aluno/mês. Este encargo vem juntar-se aos outros resultantes da alimentação dos filhos que frequentam o 2º, 3º ciclos, o secundário e todas as outras despesas inerentes à universidade, caso tenham filhos a frequentar este nível de ensino. A verdade é que, com este novo encargo que está em prática desde 1 de Janeiro de 2011 verifico a existência de uma carga de violência social penalizadora sobretudo para as famílias com 3 ou 4 filhos, colocando-as no mesmo saco de uma outra com 1 ou 2 descendentes. O certo, é que os cerca de 40 euros aluno/mês não é o mesmo valor quando comparado com uma família com 3 ou 4 filhos a estudar. Os pais tem a obrigação de questionarem a SREC sobre as componentes utilizadas para encontrar a formula de cálculo em vigor que, no meu ver, choca com os princípios da equidade social e ferida de quaisquer justificação que abone em favor daqueles aquém são sempre pedidos mais sacrifícios, até porque os rendimentos destas famílias pertencentes à jaz classe média têm muito que se lhe digam. E, feito bem as contas, há vencimentos dentro desta classe que são mais médios que outros… Por tudo isto, a revolta e a indignação afloram em cada conversa sobre o assunto ao ponto de se questionar se nestas situações a autonomia regional não deveria sair a terreiro para ajudar estas famílias. Infelizmente, é que nada disto veio acontecer visto que o que imperou nesta secretaria foi outra politica de contornos ainda por esclarecer e que assegurassem a ferro o financiamento da alimentação nas escolas da região. Já agora, como vai ser o próximo ano lectivo de 2011/2012? Com que bases vão os responsáveis por este organismo escalonar as famílias que perderam o direito ao abono de família e com filhos nestes níveis escolares e em creches? Se nada for feito e corrigido reservo-me ao direito de perguntar "Autonomia para que te quero".