António Ferreira Considero-me um liberal-conservador moderado. Tento ser tolerante em relação a outras considerações políticas. Procuro sempre o compromisso e o diálogo. Acredito nas minhas ideias e ideais, mas sou flexível. Afinal se acredito que ninguém é infalível, devo-me inscrever na lista. Fujo de discussões estéreis, e de preconceitos. Sou céptico sobre o pensamento comum, ao banal e ao vulgar. Seria muito mais popular se assim não fosse, mas o que se pode fazer? O problema disto tudo é que nunca agrado, politicamente falando, a ninguém. Nem a gregos, nem a troianos. Vejamos o seguinte: 1) Os sociais-democratas pensam que sou demasiado crítico. Ninguém gosta de pessoas com ideias próprias no PSD. 2) Os socialistas vêm-me como um direitista incorrigível. No PS acreditar em alternativas ao poder dos governos é cometer traição. 3) A malta do BE e do PCP desconfia dos meus dotes em economia. Acreditar em mercados é pecado. 4) O pessoal do PND acha que se procuro compromissos com o "sistema", faço parte do deste. Nem quero aqui dizer o que me chamam esta gente. 5) Os democratas-cristãos até me ouvem, mas os que são conservadores, desconfiam do liberalismo. Os que são liberais acham que sou demasiado conservador nos costumes. Poderia dizer que ser de direita é isto, seguir o nosso rumo, defender as nossas ideias, mesmo estando numa clamorosa minoria unitária e singular. É uma ideia bonita, mas sou levado a crer que não se vai a lugar nenhum com moderação. O caminho da moderação é sempre sinuoso e precário.