Olá amigos! Hoje quero vos falar de rótulos e preconceitos e da necessidade de olharmos além de nós próprios. Sempre me irritou que se tenha de dar um rótulo às coisas, principalmente à Música, "isto é clássico", "isto é pimba", "aquilo é jazz"… o problema é que na desculpa do rótulo as pessoas deixam de ouvir coisas que até poderiam gostar se permitissem a experiência da aventura. Compreendo a necessidade de agrupar as coisas nas discotecas e na própria história da música de forma a organizar melhor o conhecimento mas isto faz crescer barreiras entre as pessoas e pior, faz crescer preconceitos. Não há dinheiro que pague a musica e ela está disponível a todos, é de todos os que a recebem e ficará com os que a deixarem entrar no coração. Peço-vos que da próxima vez que forem a uma loja de discos, oiçam outras músicas para além das que já apreciam, peço-vos amigos da comunicação que da próxima vez que estiverem a preparar um alinhamento para o vosso programa de rádio incluam algo diferente, acreditem no vosso público e na capacidade que têm de se apaixonar por muita coisa que desconhecem, peço-vos senhores empresários e patrocinadores que financiam os espectáculos que apostem na cultura e na capacidade do público ser exigente e apreciador. Nós somos capazes de amar tantas coisas! Ninguém gosta do que não conhece, por isso público, músicos, compositores, oiçam o que os outros fazem e seremos todos mais ricos e cultos. Por falar em diferença, quero hoje prestar a minha homenagem a uma Mulher que compreendia e respeitava a diferença como uma virtude e um direito de cada um. Ela ensinou-me muitas coisas, mas a maior deve ter sido que cada um é diferente e especial. No passado dia 30 de Janeiro ela deixou-nos. O Mundo será mais pobre sem ela, mas rico para quem a tem no coração. Teremos saudades suas Avó Judite!

Vânia Fernandes, Cantora