Maria Natália Fernandes Vieira Quando decidi que o meu exigente pai, já não mandava nas minhas ideologias, dei um passo de gigante na minha passagem de jovem para adulta. Passei a encarar os problemas do Mundo como se eles fossem meus e isso, faço-o até aos dias de hoje. Não me limito a ser simplesmente uma residente da Ilha da Madeira, Portuguesa, sou para além disso, uma cidadã do Mundo. Com esta minha faceta, encarada por muitos por "maluca" e inútil, defendo com unhas e dentes, tudo aquilo em que acredito! Algo que sempre me entristeceu foi o facto do meu povo, nunca ter tido a coragem de demonstrar o seu desagrado perante determinadas situações. Por falta de cultura ou por simples comodismo, deixam-se ficar no seu silêncio e numa atitude de desinteresse, transformem-se, também eles, em cúmplices invisíveis do sistema. Ora, esta característica de olhar a caravana passar e assobiar para o lado é o que nos impede de sermos grandes como Humanos e grandes como Povo. A Mãe Natureza tem dado o seu grito de alerta em várias zonas do Planeta e o seu grito de dor é visível e sentido pela população Mundial. Aqui, não é diferente e é chegada a hora de mudarmos a nossa maneira de lidar com a Natureza, nesta Ilha. O 20 de Fevereiro marcou e muito o povo madeirense. Levou vidas humanas, destruiu vidas inteiras de trabalho... Mas, infelizmente, ainda existe, quem continue a menosprezar a força da Natureza e a chamar de tontos quem a tenta proteger... Somos ilhéus, vivemos rodeados de mar e, actualmente, para acedermos ao mar, por toda a Ilha, temos de pagar ou de saltar placas de betão! Logo, pelo acesso ao meu calhau, pelo acesso à minha areia preta, pelo entrar no mar e sentir o rebentar das ondas, enfim, por tudo o que a Natureza me brinda e que me é muito mais precioso, do que tudo o que me tira o Homem, por eu ter a coragem de ser livre, vou estar, neste Domingo 20 Fevereiro, no Cordão Humano, no aterro! Mudando o nosso pequeno espaço em nosso redor, estamos a contribuir para mudar o Mundo!