O Porto Santo receberá este Verão turistas de várias proveniências, que chegarão a reboque da situação de instabilidade política e social que se vive actualmente em alguns dos destinos de praia mais procurados pelos europeus, como são os casos da Tunísia e do Egipto. As notícias que já foram divulgadas apontam no sentido dos hotéis do Porto Santo registarem este ano um maior número de hóspedes estrangeiros, face às operações já conhecidas que dão conta da chegada de voos directos do Reino Unido, da França, da Polónia e da Bélgica. Há ainda a perspectiva de outras duas operações de Itália e de um país do Leste Europeu, mas que ainda não se confirmaram. Sabemos que os operadores turísticos portugueses, que apostaram nos últimos anos em voos directos para a ilha do Porto Santo, voltarão a programá-la, mas a verdade é que começam a encontrar dificuldades na contratação de mais quartos, para além daqueles que constam dos seus contingentes de contratação, muitas vezes mais baixos do que na verdade costumam produzir e que têm preenchido com reservas e opções de última hora. Todos nós, madeirenses, conhecemos a razão que nos leva ao Porto Santo, caracterizada por uma praia de águas límpidas e de areias com propriedades únicas, que funciona como um recarregar de baterias em cada ano, para quem tem a oportunidade ou o ‘bom’ vício de lá ir com frequência. Por isso, há que saber dividir esta jóia atlântica com aqueles que nos visitarão e que poderão ser, de agora para diante, os grandes embaixadores e os melhores promotores dos próximos verões. Não há razões para entrarmos em delírios, de preços ou de perspectivas mais elevados. Os porto-santenses e todos quantos se dedicam a actividades relacionadas com o Turismo devem atentar na qualidade do serviço, que abrange todo o apoio que o turista encontrará na ilha, desde os hotéis ao vendedor de gelados. São elementos fundamentais para que o número de turistas que visitará a ilha este ano se repita no próximo ano e noutros vindouros, multiplicando receitas e oportunidades de negócio para todos, mas muito particularmente para os que vivem na ilha. Anteontem confessava-me um responsável por um operador turístico estrangeiro que era pena o Porto Santo não ter mais umas centenas de camas. Se as tivesse este ano poderia captar mais alguns milhares de turistas. O desabafo é de uma pessoa aflita que não tem para onde mandar os seus clientes, considerando destinos de praia, que estejam a cerca de três a cinco horas de voo. Considero que as camas hoteleiras que estão instaladas no Porto Santo são suficientes para a ilha mostrar o que vale e que serviço pode apresentar. Neste Verão, as autoridades porto-santenses poderão fazer um teste às condições que a ilha oferece, nomeadamente em estruturas de acolhimento para turistas em férias, com a família, e às condições de trabalho dos profissionais que estarão no Porto Santo para enquadrar as operações. Uma prova oportuna e obrigatória face ao cenário que, todos queremos, antever. Penso que este será o ano em que os porto-santenses e os empresários que investiram na ilha serão testados com vista ao futuro. Esta é a grande oportunidade de mostrar que as estruturas de acolhimento funcionam, que tudo foi programado para receber os milhares de turistas que chegarão à ilha, nomeadamente os que trocaram as praias do Mar Vermelho e do Mediterrâneo pelas ‘Caraíbas do Atlântico’. Assim espero e estou convicto de que se tudo correr bem, o Porto Santo ganhará novos adeptos e alguma massa crítica para que os projectos suspensos, como é o caso do ‘Colombo’s Resort’, ou outros que já estão licenciados, possam ser concluídos. Mas cuidado, não se descaracterize ainda mais a ilha. Basta as aventuras de alguns jovens madeirenses que ali encontram um local privilegiado para as suas noites etílicas… com consequências desagradáveis. Que todos façam bem o seu trabalho. Ganhará o Porto Santo, ganhará a Madeira e ganharemos todos nós.