Desde pequeno, sempre ouvi dizer "cada macaco no seu galho". Contudo, por coincidência, deparo-me inúmeras vezes com situações no mínimo caricatas, pois generaliza-se algumas áreas, em detrimento de outras e julgamos que no caso específico da cultura e consequentemente para a sua gestão e/ou programação, não necessitamos de profissionais habilitados para o efeito. Desde 2006 que em Espanha, vários espaços de arte, juntamente com outros entendidos nesta matéria (galerias de arte, museus, centros de artes, críticos, coleccionadores, conservadores, etc...) uniram-se para dar corpo a um documento intitulado: "boas práticas em Museus e Centros de Artes", que, mediante a abertura de concursos públicos, para além de definirem os perfis dos directores, referenciam uma série de estruturas orgânicas e funcionais, indispensáveis ao sucesso de cada instituição. Não será por acaso que na história da maioria dos investimentos deste género realizados em Espanha, quer sejam recentes ou não, tenham sucesso, não só ao nível da qualidade dos seus programas, mas no número elevado de visitantes que substanciam as receitas e consequentemente ajudam as instituições a continuarem a desenvolver a sua actividade. Nas Ilhas Canárias nasceu em 2009 uma importante infra-estrutura cultural; TENERIFE ESPÁCIO DE LAS ARTES, resultante da experiência nascida em território nacional espanhol. Este projecto cultural implementado em Tenerife, desde a sua abertura, orientou-se pelas regras das "boas práticas" seguidas no país e dinamizou um forte programa na área das artes plásticas contribuindo para o desenvolvimento sócio-cultural dos habitantes desta Ilha, captando simultaneamente, o interesse e visita de centenas de milhares de turistas que afluem àquela ilha das Canárias.
Luís Guilherme Nóbrega, Comissário Independente