A Floresta madeirense, fustigada no Verão passado pelos incêndios, após extrema exposição a um Inverno não menos agressivo, tem merecido de todos uma atenção compatível com a importância que merece. Fornecedora de bens e serviços fundamentais para a sustentabilidade do desenvolvimento regional, a floresta madeirense participa no "seu" Ano Internacional com um nível de gestão sólido e adequado aos principais desafios que enfrenta. Contribuem para esta capacidade de gestão, uma série de intervenções estruturadas no conhecimento, informação e compromisso dos principais actores sociais responsáveis pela preservação e uso sustentável deste nosso valioso recurso natural. O recente inventário florestal, as várias intervenções de recuperação, a criação de viveiros, a investigação orientada para a conservação ex situ e in situ; a sensibilização da população em geral e as acções de educação ambiental especificamente orientadas para os diferentes níveis escolares, a formação no domínio dos incêndios e erosão hídrica, entre outras são evidências claras do compromisso dos madeirenses para coma sua floresta, fazedora de água, paisagem e identidade própria. Não custa muito acreditar que estarão para muito breve os Planos de Gestão da Floresta Madeirense, há muito aguardados. Não tanto pelas novas acções que poderão trazer mas, sobretudo, pela constituição e definição de prioridades, identificação de meios e criação de oportunidades ou atracção de apoios. A que se juntará também o natural reforço da mobilização, envolvimento e participação, pela identificação com os objectivos, linhas de orientação estratégica e acções a implementar. Não significa isto que a floresta esteja salva. Mas, é uma garantia de consciência e compromisso. O Mar, pelo contrário, mais vasto que a floresta, mais diverso em recursos naturais e actividades económicas que a floresta, igualmente determinante na caracterização da identidade madeirense, continua órfão. Todos os dias, o que deveria ser azul é castanho. A destruição do nosso mar pela contaminação não natural é comparável aos incêndios florestais mas, parece que poucos se preocupam com isso. Não há casas nem pessoas em risco, aparentemente. Mas estamos a perder um dos nossos mais importantes ecossistemas que também presta serviços fundamentais, geradores de emprego e riqueza. Sem ele ficamos mais pobres. Precisamos de empenho, competência e organização, tal como temos para com a floresta. Precisamos de compromisso para com o mar, até porque se faz tarde, e não se pode semear no mar como se faz em terra. É outra natureza.
António Domingos Abreu