Aviso: qualquer semelhança com situações reais é pura coincidência Falámos, em artigo anterior, na vantagem de avaliar todas as situações correntes da mesma forma que o desporto avalia (ou deveria avaliar). Alguns menos perspicazes poderão ter pensado "avaliar os programas escolares em golos?" Claro que não era isto, porque, por exemplo, o futebol, não é só golos. O golo é só um indicador de uma jogada bem conseguida. Os golos permitem analisar quantas jogadas foram de facto bem conseguidas (não é a posse de bola, os remates e os cruzamentos feitos, etc.). É preciso não confundir contar enxadas com cavar, como tantas vezes se faz. Um outro exemplo - precisamos de aumentar a produtividade nacional. Como? Se a estrutura Estado (mas serve o raciocínio para qualquer outra estrutura) fizesse regras, leis e formas de actuar que permitissem a cada português poupar 10 minutinhos por dia (trânsito mais organizado, menos papelada, menos tempo de espera nos tribunais, hospitais e repartições públicas, escolas menos burocráticas, etc.) ganhar-se-iam 1200 milhões de euros por ano (isto é - 10 minutos x 6 milhões de trabalhadores x 5 euros à hora x 240 dias de trabalho ano). Tal não compensaria boa parte da percentagem do ordenado que agora retiram aos funcionários públicos? O valor que deixaram de comparticipar nos medicamentos? O que é necessário pagar a mais nas escolas e universidades? Etc. Quanto tempo perdemos, por dia, a fazer coisas inúteis, porque somos obrigados? Faça o leitor algumas contas e veja quanto é que isso representa por ano e ao fim de 20 anos... verá que ficará surpreendido, com os milhares de horas que poderia ter utilizado de forma mais produtiva. No desporto (e na vida) o capital humano é restrito. O que podemos é aumentar a produtividade, se queremos marcar mais "golos". Contudo, parece que não querem que sejamos mais produtivos. Manter as pessoas ocupadas a "preencher papéis e em filas de espera" muitas vezes resulta da falta de visão duns tecnocratas, porém noutros casos parece que é propositado para que não tenhamos tempo para pensar, para que não tenhamos capacidade para tomar decisões …para que sejamos servos obedientes. Deixem de contar enxadas e ponham-se a cavar (cavar tem muitos sentidos mas estamos certos que o leitor saberá encontrar o mais correcto). Deixem-nos trabalhar.

Hélder Lopes, professor universitário