Com a notificação por parte da Procuradoria-geral da República à Federação Portuguesa de Futebol, que põe em risco a própria instituição, acho que é chegado o momento da Madeira criar a sua própria Federação de Futebol. Por esse motivo mas não só. Se a Madeira pode conseguir os mecanismos para futuramente competir nas provas da UEFA, quer a nível de clubes, quer a nível das selecções, porque ter medo da emancipação? Sei que isto funciona tudo como na política, quem está comodamente sentado no poder pretende mais do mesmo e é avesso a mudanças. Veja-se o ruído que recentemente foi feito pelas maiorias, cá e lá, quando se falou na redução do número de deputados. E o mesmo se passa ao nível das autarquias. Há necessidade, com todas as acessibilidades actuais e com a diminuição da população, que a Madeira tenha tantas Juntas de Freguesia, apesar das especificidades de cada uma delas? Sei também que a criação duma Federação de Futebol da Madeira é um 'Aqui D'EL Rei' da actual classe e geração de dirigentes dos principais clubes da RAM. Mas o actual sistema encontra-se esgotado e vai rebentar pelas costuras. Deveria ser encontrado um mecanismo para a região participar com um único clube 'Madeira' na Liga Portuguesa, clube esse que deveria servir como principal suporte para a região competir a nível das selecções nas competições da UEFA e FIFA. Nesse contexto só poderiam jogar nesse clube os jogadores em condições legais com nacionalidade ou dupla/nacionalidade para vestirem a camisola da selecção da Madeira. Idêntico procedimento passar-se-ia com os escalões de formação. Revés no futebol madeirense? Sou dos que pensam que não, mas antes nos cingirmos à nossa realidade do que andarmos armados em ricos a fazer de conta, com a crise generalizada que por aí anda. Não se corem de vergonha se os resultados desportivos não forem os desejados. Está na hora dos dirigentes desportivos, da política e dos políticos sentarem-se à mesa e debaterem o futuro. Este modelo já deu o que tinha a dar…
Miguel Justino, Repórter desportivo