
Tornou-se quase normal as escolas pedirem aos pais que paguem o papel higiénico dos filhos, isto depois de pedirem dinheiro para material e actividades. De tantos exemplos, sucessivamente repetidos, já deixámos de reparar. A última pedincha de serviços públicos parece ter sido de shampoo no Hospital dos Marmeleiros, onde também terá faltado creme hidratante para os internados. Não se sabe se também faltam agulhas e pensos, mas já terá havido centros de saúde com falta de medicamentos.
São apenas alguns exemplos do que deveria ser uma vergonha para quem tutela estas áreas. As desculpas de que as escolas não sabem gerir os seus orçamentos, ou que os fornecedores se atrasam, não pegam. Primeiro, porque os responsáveis pelas escolas, hospitais e centros de saúde são os membros do Governo com essas tutelas, segundo, porque os fornecedores, com contas coladas ao tecto há muito tempo, já deveriam ter sido indicados para beatificação, tanta é a sua paciência.
A continuar neste ritmo, dentro de pouco tempo vão pedir aos presos que comprem algemas - melhores do que aquelas dos serviços prisionais -, aos automobilistas que tenham um caderno de multas dentro do carro e que levem um pouco de alcatrão e brita para tapar buracos nas estradas. É ridículo, mas também é triste.
E a infelicidade aumenta, quando os mesmos que não têm dinheiro para papel higiénico, gastam milhões em obras de utilidade duvidosa, ou desbaratam outro tanto num jornal gratuito - perdão, oferecido à população - que distorce a concorrência.
As comparações podem ser classificadas de demagógicas, como sempre acontece quando são feitas ao nível político-partidário, mas quem tem de levar shampoo para um hospital deve pensar de maneira diferente.