Rui Jardim De tempos a tempos, lá vem a discussão do costume: reduzir o número de Deputados. E, logo recomeçam as jogatinas, chegando-se à conclusão que para manter a proporcionalidade dos tachos, há que deixar tudo na mesma. Mas vamos lá à realidade. Em 30 anos de Democracia em Portugal, que me lembre, excepto os representantes das Regiões Autónomas que gozam de estatuto especial, apenas o "Queijo Limiano" levantou uma voz de representação efectiva dos seus eleitores. E, quando isso aconteceu, logo foram tomadas medidas para que tal não seja repetido. De resto, a Regra vigente é a "Disciplina de Voto". Então, para que servem 230 Deputados no Parlamento (além de dar bons ordenados e boas reformas)? Muitas das vezes, os deputados não são oriundos das áreas que os elegem. Quando votamos, o que fazemos efectivamente é votar na cara de quem se candidata a 1º Ministro. O efeito real das discussões parlamentares, limita-se a pura retórica e espectáculos mediáticos, para tentar justificar as regalias. Sendo assim, porque não uma redução efectiva e drástica do número de Deputados? Limitar o número de Deputados aos necessários à composição das Comissões (aqueles que ainda fazem alguma coisa). Os restantes, que vão trabalhar para os Partidos e à custa destes. Para as votações, basta apenas um Deputado por Partido que vá lá indicar o sentido de voto da sua organização. Já se sabe que todos os outros têm a obrigatoriedade da Disciplina de Voto. Será que uma redução de Deputados baseada na "Disciplina de Voto" não será aquela que o País realmente necessita?