Alzira Garcia, (Dirigente Sindical do SPLIU-M) Caro João, permite-me, em primeiro lugar, que assim te trate. Gostaria de te dizer que o sentimento foi de estupefacção face ao que li na tua carta. E digo isto porque, volvidos quase 20 longos anos de estadia na RAM, já não equacionava a hipótese de ainda se vislumbrarem resquícios de xenofobia. Ainda tenho bem presente, aquando da minha vinda para a Madeira (sim, porque estudantes da Madeira entravam no Continente com média inferior à minha), os comentários de que éramos alvo, do género "vêm para cá (entenda-se UMa) tirar o lugar aos nossos". Ora, tanto quanto eu sei, seria um especial favor que as tuas palavras ecoassem na DGRHE (e, porque não, na SREC) e nos deixassem ir definitivamente para a nossa terra. Será que podes dar um "jeito" ao pessoal? E, João, relembro-te que são 20 ANOS! Não consideras que, à minha semelhança, a maioria está ansiosa por poder regressar para junto das suas famílias? Sim, João, nós temos família! Nós temos pais e mães que estão a envelhecer e a ficarem debilitados, como é o caso dos meus, sem que eu possa ajudar quando eles mais precisam de mim! Quanto aos atestados médicos, não sei se estás ciente, mas colocas em causa a deontologia profissional de quem os emite... Por último, não sei se és o João Sousa dirigente (ou ex-dirigente) sindical, mas, independentemente desse facto, estamos no séc. XXI, lamento informar-te!