Quem já não ouviu ou leu que em tempos difíceis e de grande aperto financeiro surgem sempre excelentes oportunidades para investir, bem como existem instituições que beneficiam com a desgraça alheia? Veja-se o caso das instituições bancárias (pelo menos algumas) que bem recentemente apresentaram lucros inadmissíveis! Contudo, contrariando estas duas circunstâncias, e como habitualmente sucede nestas alturas, as áreas do Desporto e Cultura sofrem continuamente muitos cortes, sempre com a justificação que existem outras prioridades de primeira necessidade. Assim, tendo em conta este cenário o que devem fazer as organizações desportivas? Devem continuar a investir ou simplesmente gerir para não caírem em desgraça? Tendo em conta o forte investimento feito no Desporto da RAM, parece-nos que o caminho a seguir será o da prudência e rigor orçamental, apostando sempre nos jovens valores e no melhoramento das condições no sentido de potenciar o desenvolvimento desportivo regional. Porém, quem de direito, terá de intervir com coragem para acabar com o despesismo que se assiste em determinados projectos, doentes desde a sua nascença, que em nada contribuem para o progresso do nosso desporto. Aliás, têm contribuído para esgotarem os apoios e denegrirem, principalmente pela má gestão, a imagem do próprio DESPORTO. Por outro lado, não nos parece aceitável que determinados projectos sejam tão protegidos em detrimento de outros que apresentam, a todos os níveis, muito melhores resultados. Isto para não falar que existem administradores de empresas públicas que auferem mensalmente mais que a maioria das Associações de modalidades da RAM movimenta num ano, tendo estas a responsabilidade de colocar toda a máquina em movimento. Está tudo dito! Com situações desta natureza podemos concluir que a maioria dos agentes do desporto muito faz com tão pouco e por vezes são tão mal compreendidos… Enfim, é a nossa luta do dia-a-dia.
Juan Gonçalves, Presidente da ATMM