Perto de 1000 Milhões de euros é o que o Governo do PSD deve às empresas regionais. Mais de 220 dias é o tempo que demora o Dr. Jardim a pagar às PME's que fornecem à administração pública regional. Este calote do governo do PSD está na origem de muitos dos problemas de tesouraria das empresas da RAM, no aumento do desemprego, mas também na incapacidade de promover processos de investimento que permitam o relançamento da economia local. Há alguns anos que a situação assume estas proporções exóticas. Em 2007, por exemplo, o Prazo Médio de Pagamentos chegou a ser superior a 300 dias. Contudo, na altura as PME's contrariavam tudo isto com financiamentos de tesouraria, a custos mais ou menos controlados, ou com recurso a instrumentos de pagamento correntes como o factoring, por exemplo. Vale a pena perguntar porque tudo se descontrolou? A resposta é simples: o governo reforçou (ainda mais) as dividas às PME's da RAM e manteve a insensatez no seu financiamento, desatando a concorrer de forma injusta (com os empresários) pelos os parcos recursos existentes na banca regional. Assim, o recurso sistemático à divida (em todas as suas configurações e partindo de todos os sectores da administração pública regional) para pagar o funcionamento das instituições públicas, para pagar dividas antigas e para financiar investimento irracional e insustentável criou a tempestade perfeita em cima das empresas da Madeira. Obriga o bom senso e a ponderação que o Governo recorra ao endividamento para promover investimento com retorno adequado, dando assim uma elevada eficiência à sua divida e garantindo uma boa utilização dos recursos. Além disso, com esta atitude, transmitia credibilidade para o mercado assegurando o seu financiamento, o das empresas e das famílias. Infelizmente, a observação empírica confirma uma divida regional cuja composição deve deixar qualquer economista com "cabelos em pé". Com a crise financeira o Governo Regional manteve o mesmo padrão de endividamento e nem sequer ponderou limitar o seu recurso ao crédito de modo a garantir fundos para as PME's. Pelo contrário, teve a desfaçatez de concorrer injustamente com os empresários (pelo crédito escasso) que não têm possibilidade de competir com agentes portadores de avales da Região. Como é fácil de compreender, na hora da decisão, e com fortes exigências de controle do risco, o banco entre emprestar 1 euro a um agente com avale da região ou a uma empresa sem esta garantia, a escolha é óbvia. Por isso, o resultado está à vista: um aperto da banca regional às PME's, potenciando o garrote das empresas da RAM em virtude do calote do dr. Jardim e do recurso imponderado ao crédito…

Carlos Pereira, Deputado do PS-M