As moções de censura existem para serem utilizadas. Se o Governo já é mais um problema do que uma solução para um país deve ser afastado. Mas a ideia de mandar tudo abaixo e depois logo se vê não só é irresponsável, como deve ser repudiada.

A iniciativa anunciada ontem por Louçã visa tudo menos resolver os dramas do país. A estratégia seguida pretende deixar a nu uma oposição sem norte, que ataca o Governo com veemência, mas na hora H recua e deixa tudo na mesma. Ou, se sair o tiro pela culatra, vem fazer um favor a um PSD sedento de poder, mas sem coragem para derrubar, por si, o executivo.

Seja como for, no plano ideológico o PSD dificilmente poderá subscrever a moção do BE. Ou terão as mesmas razões social-democratas e bloquistas para correr com Sócrates de São Bento? Se sim, prova que é o mandar embora por mandar. O PSD não deve ficar refém de ninguém se quer apresentar uma alternativa ao país.

Há ainda o risco, que parece não ter sido equacionado, que é o de Sócrates suceder a Sócrates. E aí, só se faz o país perder mais dinheiro e ir mais para o fundo. Sim, conseguimos ir mais abaixo.

Ou seja, uma vez mais as prioridades estão erradas. O objectivo primeiro é chegar ao poder, ou no caso do BE tirar o poder, mas o que fazer com ele? Os tempos exigem outra maturidade democrática, com apresentação de soluções para o país primeiro, que seriam depois premiadas nos actos eleitorais. Nisso, o CDS foi mais transparente. Quando Portas apelou a Sócrates para sair sugeriu um Governo de Salvação Nacional, do qual os centristas queriam fazer parte. Ao menos, o povo sabe ao que vai.

Por cá não é diferente. Muito a oposição apregoa o fim do Jardinismo, mas ninguém explica bem o que isso é. Será uma Madeira igual a si mesma, mas sem Alberto João Jardim? Ora, se é isso, os madeirenses, mesmo os mais insatisfeitos, vão continuar a dizer: “Muito obrigada, mas estamos bem assim”. O partido ou alternativa que souber explicar o que se altera (e como?) na sociedade insular com uma alternância no poder regional será o único a ter hipóteses de governar esta terra de brandos costumes à beira mar plantada.

Há uma tendência crescente de fazer barulho e ver quem fala mais alto na política nacional e regional. Mas mandar tudo abaixo, de forma inconsequente, não é a solução que o país e a região precisam. É que, apesar de tudo, ainda não estamos no Egipto em que é ncessário derrubar tudo e erguer de novo, com outros alicerces. Bem ou mal são mais de 30 anos de democracia, com muitos erros, mas também muitas lições. É só aprender...