A OCDE revela que Portugal é um dos países do mundo desenvolvido que regista maior desnível entre ricos e pobres, o mais elevado nos últimos 30 anos. Vinte por cento dos mais ricos têm rendimentos seis vezes superiores aos vinte por cento dos mais pobres. A média na OCDE é de 5,5. Este fenómeno não é apenas aplicável a Portugal pois a desigualdade entre ricos e pobres tem vindo aumentar em todo o mundo mesmo nos países com maior equilíbrios como a Suécia, Alemanha e Dinamarca. O ano de 2011, sobretudo a segunda metade, tem vindo a revelar-se muito penosa para a maioria dos portugueses que, semana após semana, vão recebendo notícias que em nada contribuem para o seu bem estar e que naturalmente vão agravar ainda mais o fosso entre ricos e pobres. É de crer que o desvio, já tão acentuado, como atestam os dados da OCDE, se venha a deteriorar não só no decurso deste ano mas sobretudo em 2012 face às medidas que se encontram consubstanciadas no orçamento de Estado recentemente aprovado. Assim vai este país entrar no novo ano que será muito duro para todos nós, em particular população trabalhadora, pensionistas e pequenos e médios empresários face a um orçamento que asfixiará a economia portuguesa levando ao recorde de recessão económica que deverá situar-se na ordem dos 3,8 (refira-se que há 4 trimestres consecutivos que o PIB tem vindo a baixar, menos 0,4 do que o último trimestre e 1,7 comparativamente ao trimestre de 2010) e uma taxa de desemprego que deverá rondar os 14%, nunca antes imaginada. Aliás basta assinalar mais um indicador da actividade económica para percebermos o caminho que nos estão a levar de queda livre. Em Outubro deste ano verificou-se a maior queda de vendas no comércio a retalho (-3,3) comparativamente ao mês de Setembro deste mesmo ano e que em relação a Outubro de 2010 foi de - 9,7%. Por isso não se compreende como é que se pode reactivar a nossa economia e combater o desemprego com estas políticas restritivas e de cortes sucessivos nos rendimentos das famílias. Este natal será o prenúncio de um ano de 2012 de contrariedades acrescidas para todos nós. Mesmo assim desejo um bom natal, saúde e o melhor possível para 2012.
José Manuel Oliveira