Misturam-se nos anúncios da imprensa dois conceitos de espectáculo. O primeiro tem a ver com a música ao vivo, realizada por instrumentistas e cantores, tocando o seu próprio instrumento, habilitados com prática e teoria desta arte de palco, e por isso, quando se juntam para fazer música, dão um concerto. Esta palavra tem um grande significado para os músicos. No segundo conceito, designado por Live Show, cabe praticamente tudo: dança, Stand Up Comedy, Karaoke e sobretudo a passagem de música, pelos Sonoplastas - Artistas, que misturam batidas-timbres-estilos, de modo criativo, mas não dão concertos! Pela Europa fora, os clubes de música, anunciam os seus projectos e músicos, reforçando a nomenclatura dos cartazes com Live Music. As discotecas, bares entre outros espaços da noite, com entretenimento e outro tipo de animação, referem-se a si próprios como espaços de Live Show. As entidades reguladoras dos espectáculos, os empresários, os artistas, e o público que frequenta a noite das grandes cidades, conhecem as regras de funcionamento: quem anuncia música ao vivo, costuma cobrar entradas e vender as bebidas mais caras, tendo em atenção a qualidade e natureza do evento; por outro lado, as discotecas, seleccionam as entradas mas o preço das bebidas é mais barato. Uns e outros têm o seu público, que depende daquilo que se quer escolher, quando se sai à noite. Num clube com música ao vivo, vamos ouvir música. Noutro contexto (bar, discoteca) podemos dançar, ouvir umas piadas engraçadas ou experimentar o Karaoke, etc. Tudo bem, tudo certo. No Funchal actual, a oferta de Live Show é superior à de Live Music. Quem nos visita, vindo da Europa ou América do Norte, critica o facto do preço das bebidas nas discotecas ser muito elevado, em relação à sua terra. Por outro lado, notam que nos hotéis que ainda mantêm a música ao vivo, os preços são convidativos e não cobram entradas. Esclarecidos os conceitos, basta o caro leitor ter em atenção, uma outra componente: a publicidade enganosa.

Vítor Sardinha, Músico