Primeiro foi a Grécia, seguiram-se Portugal e Irlanda e posteriormente Espanha e Itália. A um ritmo alucinante a crise parece alastrar-se da periferia da Europa para o seu interior. Este percurso foi sempre acompanhado por uma estratégia de negação por parte dos representantes dos países. Até os países que, à partida, pareciam imunes ao que se passava, como Bélgica e França, são olhados com desconfiança pelos mercados financeiros. Os governos apostam em medidas que visam o "apertar do cinto", medidas que até podem ter algum efeito imediato mas que baixam abruptamente os níveis de confiança das empresas e dos consumidores e invalidam a ideia de crescimento económico nos próximos anos. Este contexto adverso colocará a zona euro debaixo de, ainda, maior tensão. A banca encontrará cada vez mais dificuldades em encontrar investidores, o que fará com que as empresas e famílias também tenham grandes dificuldades no acesso ao financiamento. À medida que os níveis de desemprego aumentam, as receitas fiscais serão cada vez menores. Facto que dificultará que os governos alcancem os objectivos ambiciosos a que se propuseram. Perante este cenário uma questão começa a ser recorrente nos órgãos de comunicação social: poderá este ser o fim do euro? É uma questão que parece estar a dividir opiniões a nível mundial. No entanto é necessário referir que esta é uma possibilidade que em poucos meses passou de utópica a provável. Por um lado temos alguns agentes económicos, como a agência de notação financeira Fitch, que consideram que a probabilidade de ruptura da zona euro e do desaparecimento do euro continua baixa dados os enormes custos financeiros, económicos e políticos. Por outro, apenas a alguns dias atrás tivemos Nicolas Sarkozy e Angela Merkel a fazer soar o alarme ao afirmar que "o colapso" de Itália levará ao fim do euro. A verdade é que o edifício monetário europeu está a revelar problemas na sua estrutura. No início da crise internacional o euro funcionou como um abrigo para os vários países, permitiu alguma estabilidade quando os países não aderentes já estavam em dificuldades. Apesar das economias do euro terem sofrido dissabores, foram muito menos do que suportariam separadas. Este facto levou a que os países vivessem acima das suas possibilidades, por intermédio da acumulação de dívida, confiando que a moeda única serviria de almofada caso algo corresse mal. Acabou por ser esta sensação de segurança que os países da zona euro sentiram que os levou a cometer erros de grande dimensão. Erros esses que agora ameaçam o próprio euro.
Pedro Nunes, Economista