C. Andrade A propósito do perturbador e recente filme "IN TIME", lembrei-me de um outro filme do género "EQUILIBRIUM", (EUA, 2002). Neste, a ficção traça um cenário pós-3.ª Guerra Mundial, onde, a fim de evitar as futuras guerras, a população é obrigada a consumir, diariamente, uma droga que anestesia as emoções (tidas como causa principal dos distúrbios sociais). O poder é mantido por uma elite que domina de forma opressiva. Sentir é um crime punido com pena de morte. Já em 1945, George Orwell, escrevera o "TRIUNFO DOS PORCOS". Nesta narrativa, os animais libertam-se da opressão humana e criam uma sociedade que pretendem utópica. Porém, acabam por estabelecer um regime totalitário sustentado pela crença: " TODOS SÃO IGUAIS, MAS UNS SÃO MAIS IGUAIS DO QUE OUTROS". Estas, entre outras obras de ficção, mostram exemplos de sociedades distópicas (contrárias à Utopia), Perante a conjuntura sócio-económica do chamado mundo ocidental, é fácil constatar que a democracia - apesar dos seus méritos - gerou elites (geralmente, com mordomias e forte poder de decisão), desigualdades sociais e uma considerável distância cidadão-político (apesar de a representação deste ser legal). Pedidos constantes de sacrifícios, que se arrastam há anos, sucessivas perdas de direitos, informações confusas e/ou imprecisas de "buracos financeiros" que se "descobrem" (como se de um ovni se tratasse...), subsídios de alojamento e mordomias afins, deixam o cidadão confuso e desconfiado da veracidade do discurso político que continua a pedir contenção em nome do Bem Comum. Teremos de aguardar pelos heróis dos filmes atrás citados ou será que estamos já tão anestesiados que somos incapazes de denunciar e de reivindicar? Parafraseando Eduardo Galeano (jornalista e escritor uruguaio), NUNCA chegaremos à Utopia mas podemos e devemos caminhar até ela.