Lá se foi o Natal e as prendas para a Madeira aí estão. Faz lembrar o esconder a dívida antes das eleições, deixaram passar o Natal para anunciar as "bombas" que os madeirenses, ao entrar no próspero Ano Novo, vão ter que aguentar. Já não há insularidade para ninguém, voltamos ao tempo em que nos espantávamos quando entrávamos num supermercado da "metrópole" e ficávamos deslumbrados, mesmo depois de pagarmos 40 contos (200 euros) pela viagem de avião. Aquela frase tão célebre, "Agradeçam ao dr. Jardim", nunca foi tão adequada. Agradeçam-lhe pelas vias rápidas e pelo que nos vão custar, pelos centros de saúde sem médicos e com taxas, pelos pavilhões e piscinas fechados, pelos 30 mil jantares de campanha. Agradeçam-lhe pela autonomia que só serve os políticos, pela educação que nos deixa na cauda do país, pela saúde que gere listas de espera e falta de medicamentos, para além da guerra de quebra-ossos. A regionalização serviu os "boys" e "girls" do partido que durante mais de 30 anos nos levou para este buraco, o tal que não havia. Para que precisamos nós de um governo regional e de um parlamento que nos custa mais de 15 milhões? Para quê manter tudo isto, mais um representante da república na tribuna da festa da flor e mais cinco deputados num parlamento nacional a votar contra a vontade da Madeira? Que moral têm os políticos que, mesmo sabendo das agruras por que passa e passará este povo, distribuem mais de cinco milhões de euros aos partidos? Chamar roubo é pouco, é mesmo pura extorsão. Ainda há quem defenda que não é justo o que estão a fazer com Jardim e que devemos defendê-lo do ataque que sofre de Lisboa, só porque somos madeirenses. São talvez os mesmos que votaram Passos, digo troika, na salvação de um país governado de fora para dentro e cujo governo cancelou todas as medidas previstas do anterior elenco, à excepção da renovação da frota automóvel. É com esse governo que dá subsídios de habitação milionários e nomeou centenas de "boys", que Jardim tem uma guerra. Pessoal, porque não acredito que alguém tenha algo contra toda uma região. Quando deveria ter saído durante o governo de Sócrates, o presidente do governo regional continuou e continua à frente de um governo que não tem razão de existência, declarando mesmo que este plano de austeridade é melhor do que a Lei de 2007. Jardim não faz parte da solução, é mesmo o problema da Madeira. E não é por dar milhões ao Jornal da Madeira ou continuar a desbaratar outros milhões no Lugar de Baixo. É mesmo por ele e pelas guerras que trava pelo apego ao poder, sofrendo nós as consequências. Se pusesse a Madeira em primeiro, Jardim deveria estar a brincar com os netos ou a criar couves na Farmville, juntamente com os secretários regionais e com os apoios agora anunciados para a agricultura virtual. Na net não gasta mais do que tem, não manipula a comunicação social, não dá aval a ninguém. Foram os madeirenses que deixaram que isto chegasse onde chegou. Podem dizer que o PSD usou e abusou da máquina do poder, das carrinhas das empresas públicas, dos presidentes das Juntas à beira das mesas. Mas mesmo assim, foram muitos os votos que Jardim teve para tudo fazer sem qualquer oposição, certo ou errado, caro ou barato. Nós temos o que a maioria decidiu ter, tenha razão ou não. E mesmo não a tendo, a maioria manda. Nada nos resta a não ser pagar as desventuras e erros de uma governação, aprendendo a fazer melhor. E que vamos continuar a ser pobres, talvez mais um pouco, tal como Passos Coelho havia previsto o empobrecimento do país. Desejo a todos um Bom 2012, o possível.
Paulo Gomes